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Economia mundial

Preço do leite despenca e ‘azeda’ comércio

Os preços caíram para seu nível mais baixo em mais de dez anos

Preço do leite despenca e ‘azeda’ comércio
Há três razões principais para que o comércio de leite tenha 'azedado' (Foto: Pixabay)

Pouco mais de um ano atrás, a alta do preço do leite levou criadores de gado e de ovinos em vários países do mundo a se converter à produção do leite. Os neozelandeses chamavam o fenômeno de “corrida do ouro branco”. Enquanto isso, as empresas chinesas estavam comprando terras e processadores de leite. Inevitavelmente, o investimento chegou ao excesso. Os preços caíram para seu nível mais baixo em mais de dez anos. Agricultores na França, Grã-Bretanha e Bélgica recentemente protestaram contra os baixos preços do leite, mas poucos lugares foram tão afetados como a Nova Zelândia, cuja indústria de laticínios produz um quarto das suas receitas de exportação.

Há três razões principais para que o comércio de leite tenha “azedado”. Uma delas é a desaceleração econômica na China, um mercado gigante onde a demanda por laticínios vinha crescendo fortemente até então. Outra é a abolição das cotas de produção de laticínios da União Europeia no início deste ano, o que está encorajando grandes produtores na Alemanha, na Holanda e em outros lugares a aumentar a sua produção e as exportações. A terceira é a proibição russa em relação ao produto da União Europeia, em retaliação a sanções europeias, que está forçando os agricultores europeus que vendiam para a Rússia a buscar outros mercados.

Andrew Little, o líder do Partido Trabalhista, o principal de oposição na Nova Zelândia, diz que teme que os preços continuem a cair, e que os banqueiros percam a paciência. Como um paliativo, a Fonterra, uma das cooperativas dos agricultores da Nova Zelândia, que é a maior empresa de exportação de laticínios do mundo, está oferecendo aos agricultores um empréstimo por quilo do que for vendido para a empresa entre junho e dezembro. O empréstimo será isento de juros para os primeiros dois anos, e os agricultores têm de pagar de volta somente se e quando o preço se recuperar.

Alguns acreditam que a própria Fonterra é o problema. Jacqueline Rowarth, professora de agronegócio na Universidade de Waikato, argumenta que a cooperativa tem se concentrado mais em tentar dominar o comércio dos laticínios do que em prestar atenção na demanda do consumidor. Tanto a Fonterra quanto o governo estão pedindo para que os agricultores não entrem pânico, assegurando-lhes que a demanda por laticínios vai se recuperar em mais ou menos um ano. No entanto, a China continua a aumentar a sua produção de leite doméstico, tirando vantagem das sanções aos ocidentais para vender mais produtos aos russos.

Fontes:
The Economist-As boom turns to bust, global milk prices slump

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