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HIPERINFLAÇÃO

Preços ao consumidor atingem níveis exorbitantes na Venezuela

Economistas alertam para uma hiperinflação no país, na qual os preços ao consumidor sobem em pelo menos 50% ao longo de um mês

Preços ao consumidor atingem níveis exorbitantes na Venezuela
Venezuela pode ter uma inflação de 13.000% em 2018, segundo FMI (Foto: Flickr)

Nos últimos anos, diversos artigos publicados na imprensa comentaram a situação econômica cada vez mais crítica da Venezuela. Mais artigos serão necessários para descrever o apetite insaciável do país pela impressão de dinheiro. Enquanto a recessão econômica se prolonga por quatro anos consecutivos, a inflação disparou. No mês passado, os líderes da oposição na Assembleia Nacional anunciaram que o índice dos preços ao consumidor aumentara 2.616% em 2017, com um aumento em dezembro de 85%. O governo interrompeu a divulgação das estatísticas oficiais sobre os preços ao consumidor em 2016, mas novos relatórios e a taxa de câmbio do mercado negro mostram que os dados da oposição estavam corretos.

Muitos economistas e presidentes de bancos centrais classificariam o aumento de preços de dezembro como uma hiperinflação, na qual os preços ao consumidor sobem em pelo menos 50% ao longo de um mês. Essa elevação acentuada resulta em uma taxa de 12.875% por ano, com os preços dobrando a cada 52 dias. Steve Hanke, um economista da Universidade Johns Hopkins, usou essa definição para fazer uma lista de 57 casos de hiperinflação de 1795 a 2016. Se a última previsão do FMI de uma inflação de 13.000% em 2018 se concretizar, a Venezuela será o próximo país a ser incluído na lista.

Os baixos preços do petróleo, o declínio de sua produção e a péssima administração financeira causaram um déficit orçamentário equivalente a quase 20% do PIB. Para salvar o país da insolvência, o governo imprimiu cédulas de 500, de 5 mil, de 20 mil e de 100 mil bolívares, que substituíram as notas de 100 bolívares. Na tentativa de ter uma moeda com um valor mais duradouro e fortalecer uma economia deteriorada, o governo criou uma criptomoeda, o petro, respaldada pelas reservas de petróleo. Enquanto isso, no mercado negro, o bolívar caiu 99,6% em relação ao dólar desde o início de 2016 e, hoje, a nota de maior valor equivale a menos de 50 centavos de dólares americanos. A produção doméstica de bens entrou em colapso e o custo das importações em moeda local aumentou, uma combinação de fatores que inviabilizou o poder de compra dos consumidores.

Felizmente, em todos os casos de hiperinflação mais da metade foram controlados em um período de um ano, e apenas um décimo deles durou mais de seis meses, com exceção da Nicarágua, cuja inflação acentuada, com índices muito elevados e fora do controle, prolongou-se de 1986 a 1991. Em geral, a hiperinflação provoca mudanças no governo, ou a adoção de novas políticas econômicas. Mas Nicolás Maduro, um presidente despótico que reprimiu com brutalidade os recentes protestos nas ruas das principais cidades da Venezuela, desafia as previsões dos analistas de permanência no cargo. Mas, apesar das expectativas de Maduro, nem a tendência à alta do preço do barril do petróleo bruto freia a deterioração econômica da Venezuela.

 

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Fontes:
The Economist - When the prices are too damn high

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1 Opinião

  1. Laércio disse:

    Um país funciona como um corpo humano, tem que ser dada a devida atenção pra que não haja benefício de um órgão em detrimento de outro.
    Não é necessário grandes feitos para resolver a situação Venezuelana, da mesma forma que um corpo basta combater as moléstias e fortalecer o que é necessário.
    O primeiro parasita que deve ser combatido é o comunismo exacerbado, combater o crime com prisão perpétua bem como outros agravantes; dessa forma haverão diversos superávits tornando possível investimentos, a curto prazo, em saúde, educação e segurança, entretanto este tripé deve estar “vacinado” de forma a ser trabalhado preventivamente e não remediado.
    A exemplo do Brasil, devem eles eliminar determinadas moléstias em potencial…

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