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ÁGUA E ALIMENTOS

‘Desperdício na América Latina é imoral’, diz presidente da WWF

Em evento em Madri, Yolanda Kakabadse diz que América Latina produz mais alimentos do que consome e que 40% do total produzido vai para o lixo

‘Desperdício na América Latina é imoral’, diz presidente da WWF
Yolanda Kakabadse (de branco) foi ministra do Meio Ambiente do Equador (Foto: Twitter/@EmmaFdezA)

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Na semana passada, a presidente da WWF Internacional, Yolanda Kakabadse, que foi ministra do Meio Ambiente do Equador, participou da segunda edição dos diálogos sobre a Água entre a América Latina e a Espanha, em Madri. Durante uma mesa sobre o uso da água no âmbito urbano, ela falou que a mudança climática é a maior ameaça atual para o ser humano.

Sobre o uso da água, ela ressaltou o problema do desperdício excessivo dos alimentos. “Na América Latina, por exemplo, o setor agrícola sempre se viu como dono da água. Isso é ruim. Principalmente porque, ao final, ocorre um desperdício de comida enorme. Produz-se mais comida do que podemos consumir, e 40% dessa comida vai para o lixo. Isso é imoral, é uma falta de ética e de solidariedade com o planeta. Pois para produzir essa comida consumiu-se muita água”.

Para resolver este problema, é preciso conscientizar tanto o produtor quanto o consumidor, porque ambos são responsáveis pelo desperdício. “Primeiramente, é preciso diminuir os níveis de ambição econômica do produtor e fazer com que ele seja mais responsável. Quanto ao consumidor, temos de aprender de novo a avaliar a qualidade de um produto pelo olfato, pelo tato ou pela aparência, e não apenas por meio da data de validade exposta no rótulo.”

Kakabadse diz que ainda há esperança de que a situação do planeta melhore. “Nós, ecologistas, somos otimistas, caso contrário já teríamos nos suicidado há muito tempo. Mas continuamos lutando, porque sabemos que existem novas maneiras de lidar com os problemas e novas respostas para eles.”

Quanto ao fato de que ainda há pessoas que negam a existência das mudanças climáticas, ela diz que algumas pessoas só mudam quando sofrem um golpe duro. “O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, por exemplo, dizia que não existia esta questão da mudança climática, até que o furacão Sandy atingiu a sua cidade. Depois disso, ele não teve outra saída a não ser mudar de opinião e pedir desculpas. O lamentável é que não admitamos o valor das previsões científicas. Mas o ser humano é assim mesmo. Somente com os golpes sofridos é que entendemos que existem realidades que não queremos admitir.”

A presidente da WWF Internacional disse ainda que as pessoas custam a acreditar nas evidências científicas. “Quando vermos que o nosso vizinho está sem água, então mudaremos. Somos tão céticos diante das evidências científicas, que custamos muito a mudar.” Ela espera que a sociedade tome as medidas necessários antes que soframos o que está por vir.

Fontes:
El País-“Do total de comida que se produz, 40% vai para o lixo, e isso é imoral”

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