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O problema dos monopólios

Fatos recentes mostraram aos economistas a ameaça que os monopólios representam para a economia dos Estados Unidos

O problema dos monopólios
Na visão atual dos economistas a concorrência na economia diminuiu de maneira significativa (Foto: Pixabay)

Na década de 1970, a opinião dos economistas da Escola de Chicago que as grandes empresas não constituíam uma ameaça ao crescimento e à prosperidade foi decisiva para a adoção de medidas mais flexíveis por parte dos tribunais e das agências reguladoras em relação às leis antitruste. Mas uma conferência recente realizada pela Universidade de Chicago mostrou que, hoje, os monopólios representam uma ameaça para a maior economia do mundo.

Na visão atual dos economistas a concorrência na economia diminuiu de maneira significativa. Em consequência, não há mais tanta preocupação em inovar e a desigualdade pode aumentar se as empresas conseguirem lucrar mais e gastar menos em investimentos e salários.

O que mudou? Os fatos favorecem as grandes empresas. Seus lucros são extremamente elevados em relação ao PIB. As que têm um alto retorno sobre o capital investido podem manter seus retornos por mais tempo. Por outro lado, a criação de pequenas empresas atingiu seu nível mais baixo desde os anos 1970.

A expansão do setor de tecnologia agrava o problema. Um estudo realizado pela revista The Economist em 2016 revelou que as cinco maiores empresas de tecnologia, Alphabet, Amazon, Apple, Facebook e Microsoft, tiveram uma receita de US$93 bilhões no ano passado e têm uma grande participação de mercado, sobretudo, nos mecanismos de busca e em publicidade.

Apesar das discussões da conferência promovida pela Universidade de Chicago terem mostrado a ameaça dos monopólios à economia dos EUA, não houve um consenso sobre como combater essa tendência. No entanto, três fatores poderiam reverter esse cenário pessimista. O aumento do apoio popular à concorrência poderia estimular a ação dos políticos, como aconteceu na década de 1890, quando a mobilização da opinião pública contra os monopólios resultou em reformas importantes no início do século XX.

Por sua vez, os tecnocratas que se opõem aos monopólios têm instrumentos legais em que apoiar seus argumentos, como a Lei Sherman de 1890. Por fim, as lições da Escola de Chicago mostraram não vitórias rápidas, e sim ideias que permearam ao longo do tempo a política, os tribunais e a opinião pública. Os Estados Unidos precisam redescobrir as virtudes da concorrência.

 

Fontes:
The Economist-The University of Chicago worries about a lack of competition

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