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Energia

Reino Unido se prepara para discutir o ‘fracking’

A exploração das reservas de gás de xisto no Reino Unido ainda encontra uma forte oposição e está parada desde a proibição do 'fracking'

Reino Unido se prepara para discutir o ‘fracking’
Em 15 de junho alguns membros do Conselho do Condado de Lancashire decidiram que a Cuadrilla, uma grande empresa do setor de energia, poderia explorar as reservas de gás de xisto em Lancashire (Foto: Wikipedia)

Há muito tempo que David Cameron observa com admiração a exploração do gás de xisto nos Estados Unidos. No ano passado o primeiro-ministro britânico declarou que seu governo iria “investir maciçamente na extração do gás de xisto”. No entanto, apesar de sua afirmação e da suspensão da proibição do uso da técnica de fraturamento hidráulico, ou “fracking”, em 2012, nenhum poço foi perfurado no país nos últimos três anos.

Mas em 15 de junho alguns membros do Conselho do Condado de Lancashire decidiram que a Cuadrilla, uma grande empresa do setor de energia, poderia explorar as reservas de gás de xisto em Lancashire; o assunto será submetido à votação dos conselheiros na próxima semana. Se a Cuadrilla tiver autorização para explorar essas reservas, a decisão mudará de uma maneira radical o setor de energia no Reino Unido. Porém há um longo caminho a percorrer até atingir a prosperidade dos EUA.

A distribuição geográfica das reservas de gás de xisto é um dos motivos da demora em utilizar o “fracking” em sua extração. Segundo as estimativas da British Geological Survey (BGS), cerca de 37 trilhões de metros cúbicos de reservas de gás de xisto localizam-se no norte da Grã-Bretanha. Se 10% dessas reservas forem exploradas, o gás de xisto abasteceria o consumo de gás da Grã-Bretanha por 40 a 50 anos.

A empresa Cuadrilla calcula que a área que irá explorar tem em torno de 56 trilhões de metros cúbicos de reservas. Mas de acordo com a avaliação de Michael Stephenson, um pesquisador da BGS, grande parte das reservas de gás de xisto situa-se em áreas densamente povoadas. No norte, o gás de xisto localiza-se no subsolo de grandes cidades, terras agrícolas férteis e parques nacionais que o público adora. E ao contrário dos EUA, os direitos de exploração de petróleo e gás pertencem à Coroa britânica, o que dificulta ainda mais indenizar os proprietários de terras excêntricos.

Essas peculiaridades significam que a oposição pública ao fracking pode ser mobilizada com facilidade. Os grupos de ambientalistas, como os Friends of the Earth e o Greenpeace, preocupam-se com os efeitos do fracking no meio ambiente (os defensores do uso do fraturamento hidráulico dizem que esses efeitos podem ser reduzidos se os lugares forem monitorados com cuidado).

Porém é possível que a principal razão para o uso ainda restrito do fracking no Reino Unido, apesar da retórica de Cameron, seja o excesso de regulamentações impostas às empresas de extração de gás de xisto. O primeiro-ministro Cameron e o novo secretário de EnergiaAmber Rudd, estão tentando diminuir os entraves burocráticos. Mas mesmo comessas mudanças, o progresso será lento. A densidade urbana da Grã-Bretanha, aliada ao pouco entusiasmo pela técnica de fraturamento hidráulico, significa que a perfuração de poços de prospecção de gás de xisto será menor do que os entusiastas dessa nova fonte de energia imaginavam.

Fontes:
Economist-Time to get fracking

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