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Rio e São Paulo disputam novos investimentos

São Paulo foi a sede preferencial das multinacionais por muitos anos, mas o Rio esta crescendo rapidamente

Rio e São Paulo disputam novos investimentos
Cidade Maravilhosa ou Terra da Garoa? (Reprodução/Economist)

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No ano passado, Paulo Rezende, um investidor de private-equity, e mais dois sócios decidiram criar um fundo de investimentos para financiar empresas de petróleo e gás. Apesar de essa indústria ser centrada no Rio de Janeiro, a segunda maior cidade do Brasil, com suas enormes bacias de petróleo offshore – e lindas praias, paisagem impressionante e estilo de vida ao ar livre – eles insistiram em estabelecer o Brasil Oil and Gas Fund a 430 km de distância, na selva de concreto paulista. Ainda que isso signifique uma ou duas viagens semanais ao Rio, Paulo Rezende, como muitos outros homens de negócios, decidiu que a importância econômica de São Paulo supera os charmes cariocas. Mas a escolha é mais difícil do que costumava ser.

Por muitos anos São Paulo foi a sede preferencial das multinacionais que aportavam no país. Ela pode ser menos glamorosa que o Rio, como sugerem os apelidos das duas cidades: o Rio é a Cidade Maravilhosa, e São Paulo, a Terra da Garoa. Mas, como Paulo Rezende tristemente concluiu: “São Paulo é o centro financeiro e é lá que o dinheiro esta”.

Edilson Camara, da Egon Zender International, uma empresa de recursos humanos que trabalha com o mercado corporativo, faz 12 entrevistas em São Paulo para cada uma no Rio. O maior erro, ele considera, é deixar que os futuros expatriados visitem o Rio uma vez que seja. “Eles são seduzidos pela paisagem e pelo estilo de vida, e é uma mudança que pode entusiasmar toda a família. Mas muitos acabaram transferindo seus escritórios para São Paulo alguns anos depois, com todas as dificuldades que isto implica.”

De um vilarejo fundado por missionários jesuítas em 1554, a economia de São Paulo cresceu baseada no café no século XIX, na indústria na primeira metade do século XX, e depois na má sorte do Rio de Janeiro, outrora capital e cidade mais rica do país. O governo federal abandonou o Rio pela novíssima Brasília em 1960, dando início a um declínio de meio século. Mal administrado por políticos e disputada por grupos de traficantes e policiais corruptos, o Rio se tornou perigoso, até mesmo para padrões brasileiros. O êxodo ganhou força com a mudança dos negócios e dos ricos, sobretudo para São Paulo.

Agora, contudo, há sinais de que a relação de custo-benefício esta se alterando. A economia de São Paulo teve um bom desempenho nos anos do recente boom econômico brasileiro, mas o Rio está crescendo mais rapidamente, turbinado por descobertas de petróleo e por ter ganhado a competição para sediar as Olimpíadas de 2016. No ano passado, o Rio recebeu U$ 7,3 bilhões de investimento estrangeiro direto – sete vezes mais do que no ano passado e mais do que duas vezes o montante paulista.

O aluguel de escritórios de primeira linha no Rio agora custa mais caro do que qualquer outro lugar das Américas, ao norte ou ao sul. Projetos de policiamento comunitário também estão domando as famigeradas favelas: sua taxa de homicídio ainda é bastante alta, 26 por 100.000 habitantes por ano (duas vezes e meia a de São Paulo), mas está finalmente caindo.

O Rio é imprevisível e perigoso, e décadas de uma manutenção precária de sua infraestrutura deixaram a sua marca. Suas redes de celulares e eletricidade são propensas a interrupções; a língua negra (um derramamento súbito de água e detritos oriundo de galerias de esgoto inadequadas localizadas em encostas) é um clássico das estações de chuva; e os bueiros explosivos, causados por vazamentos de gás subterrâneo em conjunção com faíscas de linhas elétricas, são um problema registrado ao longo de todo o ano. Levando tudo em conta, o Rio ainda não é uma opção fácil para uma multinacional – mas já não é imprudente permitir a futuros expatriados que viagem ao Rio para uma visita.

Texto traduzido e adaptado pelo Opinião e Notícia

Fontes:
The Economist - Rio or São Paulo?

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