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ENERGIA

Rússia lança usina nuclear flutuante

Usina vai fornecer energia para um porto e uma plataforma petrolífera no Ártico. Greenpeace diz tratar-se de uma ‘Chernobyl flutuante’

Rússia lança usina nuclear flutuante
Petição do Greenpeace contra a usina reuniu 11 mil assinaturas (Foto: Dmitry Sharomov/Greenpeace)

A Rússia lançou uma nova usina nuclear no último sábado, 28. A novidade é que ela não foi erguida sobre o solo, mas em uma estrutura flutuante para poder ser operada no mar.

Batizada de Akademic Lomonosov, nome em homenagem a um cientista e poeta russo do século XVIII, a usina foi retirada de um estaleiro de São Petersburgo para começar uma longa jornada que vai terminar no Ártico. Primeiro, a estrutura vai atravessar o Mar Báltico, depois contornar a Noruega até chegar ao porto de Murmansk, onde os reatores nucleares vão ser abastecidos com combustível. De lá, a estrutura vai ser rebocada até a costa ártica de Chukotka, próximo do Alasca.

Em 2019, a usina deve abastecer uma cidade portuária, plataformas de petróleo e uma usina de dessalinização. A previsão é de que os dois reatores forneçam eletricidade para um total de 200 mil pessoas no porto de Pewek. Hoje, a cidade tem apenas 4 mil habitantes.

Segundo a Rosatom, estatal russa de energia nuclear, a estrutura conta com “uma grande margem de segurança” que é “resistente a tsunamis e desastres naturais”. “A planta de energia flutuante incorporou todas as melhores qualidades das plantas nucleares tradicionais. Está protegida contra todos os tipos de perigos naturais e técnicos”, disse Vitaly Trunev, líder da Rosenergoarom, uma estação de energia nuclear subsidiária da Rosatom. Segundo a emissora estatal russa RT, a Rosatom também disse que já está em contato com compradores em potencial no sudeste da Ásia, América Latina e África.

Críticas contra a usina flutuante

Críticos do projeto afirmam que expor um reator nuclear a altas ondas e ventos fortes é um erro. Uma petição online lançada pelo Greenpeace reuniu 11 mil assinaturas contra a usina.

A organização apelidou a usina de “Chernobyl flutuante”, em referência ao pior acidente nuclear da história, que ocorreu na usina de Chernobyl, em 1986, na Ucrânia, então controlada pelos soviéticos. O Greenpeace também usou a expressão “Titanic nuclear” para criticar o projeto.

“Reatores nucleares flutuando no Oceano Ártico representam de maneira explícita uma ameaça óbvia a um ambiente frágil que já está sob enorme pressão pelas mudanças climáticas. […] A usina nuclear flutuante vai operar perto da costa, em águas rasas. Ao contrário das afirmações sobre sua segurança, o casco chato no fundo e a falta de propulsão tornam a usina particularmente vulnerável a tsunamis e ciclones”, disse Jan Haverkamp, especialista em energia nuclear do Greenpeace no Leste Europeu.

Com o derretimento do gelo do Ártico nos últimos anos, novas rotas de navegação estão sendo abertas no norte da Rússia, que quer aproveitar o momento para explorar os ricos depósitos de petróleo e gás da Sibéria. O Kremlin também quer aumentar sua presença militar no Ártico, que também é disputado pelos EUA e pela China, que, apesar de distante da região, está entre os treze países europeus e asiáticos que têm estatuto de observadores no Conselho do Ártico (CA) e já expressou sua ambição de se tornar uma grande potência polar através da rota marítima que liga Roterdã a Xangai.

Fontes:
Estadão-Rússia inaugura usina nuclear marítima e ativistas falam em ‘Chernobyl Flutuante’
DW-Rússia lança usina nuclear flutuante
O Globo-‘Chernobyl flutuante’: Rússia lança ao mar usina nuclear controversa

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1 Opinião

  1. roberto henry disse:

    Outras agências precisam se manifestar, pois o Greenshit não é confiável.

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