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Saída de Levy é motivo para alarme

Renúncia do ministro da Fazenda Joaquim Levy indica que seu argumento a favor da austeridade foi considerado politicamente intragável pelo governo

Saída de Levy é motivo para alarme
Levy renunciou após sucessivas derrotas (Foto: Wikimedia)

Quando Joaquim Levy assumiu o Ministério da Fazenda há um ano, enfrentava uma tarefa impossível. O país estava entrando em sua pior recessão em décadas, e a popularidade do governo Dilma atingia baixas impressionantes. Muitos ministros teriam desistido há muito tempo, mas Levy durou até 18 de dezembro, quando renunciou e foi substituído pelo então ministro do Planejamento, Nelson Barbosa.

Leia também: Nelson Barbosa é o novo ministro da Fazenda

Essa mudança deve tornar uma situação ruim ainda pior. A renúncia de Levy indica que seu argumento a favor da austeridade como única cura para uma economia em crise foi derrotado, não porque seu remédio econômico está errado, mas porque é considerado politicamente intragável.

Horas antes de tornar pública a sua renúncia, Levy disse que “fez tudo o que lhe foi pedido” pelo governo. Seria mais honesto dizer que havia tentado corajosamente, mas fracassado.

Levy defendia, corretamente, que só a austeridade poderia conter o crescimento da dívida do Brasil, restaurar a credibilidade do país com os investidores, reduzir a inflação e evitar novos aumentos das taxas de juros.

Mas Dilma parecia não acreditar muito nele. Seu compromisso com a austeridade vacilou ainda mais com a abertura do processo de impeachment. Para sobreviver, ela precisa do apoio da sua base de esquerda, que descreve as políticas de Levy como “neoliberalismo” e apela por mais investimentos públicos para impulsionar a economia.

Isso explica a sua escolha de Nelson Barbosa para substituir Levy. Embora ele tenha deixado seu primeiro governo em 2013 e se tornado um crítico do excesso de despesas, ele é visto como mais obediente do que o seu antecessor.

Barbosa foi fundamental na formulação de uma “nova matriz econômica” de estímulo fiscal e monetário desenhada para retomar o crescimento após a crise financeira global. Barbosa também fez lobby por uma proposta de orçamento desastrosa para 2016, que incorporou um grande déficit primário (ou seja, antes dos pagamentos de juros). Isto provocou um rebaixamento do rating de crédito do Brasil pela Standard & Poors em setembro. A proposta foi revertida dias depois, por insistência de Levy, mas o rebaixamento não.

Agora que ele assumiu o posto de Levy, Barbosa promete persistir com suas políticas. Os presságios não são animadores. Sua nomeação parece uma tentativa de dividir a diferença entre a ortodoxia de Levy e as demandas de mais gastos de seus partidários de esquerda.

Fontes:
The Economist - Brazil´s worrying change of finance ministers

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6 Opiniões

  1. waldyr disse:

    Só temos uma saída:
    Opção por novas bases econômicas, energias renováveis, abertura de mercado para investimento em fontes renováveis de energias, projetos novos com PPPs, venda de ativos da Petrobrás, enxugamento da máquina, transferência de serviços através de concessões.

  2. Paulo Manoel Dias disse:

    A crise atingiu um nível crítico, fazendo com que não possa ser revertida com base no “mais do mesmo”. É preciso atuar de forma corajosa adotando inclusive medidas antipopulares. O enxugamento da máquina deve ser feito de forma rápida e acentuada, doa a quem doer. E tudo indica que isso não vai ocorrer. Vejam o exemplo dos Correios, que tiveram a troca de 6 Vice-Presidentes, sendo TODOS os novos nomeados do PDT, partido do novo presidente da Estatal, Giovane Queiroz. Uma das vice-presidentes foi alçada de Vereadora de Salvador (BA) para vice-presidente de uma das maiores empresas públicas brasileiras, gerando revolta entre os empregados de carreira.

  3. Fabio Luiz Mendes Mulazani disse:

    Cada vez mais fundo no buraco que o PT colocou o Brasil.

  4. carlos doria disse:

    Alarme prá quem? Só para os rentistas e especuladores que querem ganho fácil.

  5. Luiz disse:

    E os brasileiros acreditam que o novo Ministro vai dar conta do recado. Deixem de ser bobos da corte, isto não vai existir. O que o Ex-Ministro Levy estava fazendo certo, só com austeridade o Brasil poderia entrar nos eixos, mas os petralhas diziam que a politica dele era o “neoliberalismo”, tem que gastar mais para alavancar a economia. Tudo papo furado da esquerda.
    Leem isto: Daniel de Fort,
    “Os comunistas são políticos que fazem propaganda com o Karl Marx, governam como Joseph Stalin e vivem como o David Rockefeller”. Então meu povo, quando o Brasil estiver completamente quebrado, vamos ouvir choro e ver lágrima de sangue, aí então será tarde.

  6. Markut disse:

    lamentável é o Levy não ter desistido, assim que percebeu a ratoeira em que ele e o país todo se meteram.
    A palavra austeridade foi varrida e, em troca,foram mantidas, com destaque: perda total de credibilidade, incompetência gestora, burrice ideológica, arrogância, irresponsabilidade, sentimento de total impunidade, inconsciência.

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