Início » Economia » Setor de bancos islâmicos tenta se consolidar na África
ECONOMIA

Setor de bancos islâmicos tenta se consolidar na África

Bancos com regras que atendem à lei islâmica se expandem pelo mundo, mas ainda não conseguem se consolidar na África

Setor de bancos islâmicos tenta se consolidar na África
Bancos islâmicos são livres de juros, que são proibidos pela lei islâmica (Foto: African Business Magazine)

Em 2008, o Banco Central da Etiópia experimentou autorizar a atuação de bancos que operam livres de taxas de juros. A lei islâmica proíbe a cobrança de juros, logo a medida foi anunciada como um passo em direção à ampliação dos serviços financeiros voltados para a população muçulmana etíope, a mais pobre do país. A medida causou alvoroço, mas logo depois estagnou. A tentativa de lançar um banco totalmente islâmico fracassou.

Fora da África, o setor de serviços financeiros voltados para a população muçulmana está em condições bem melhores. Entre 2007 e 2014, o setor triplicou de tamanho e atualmente conta com ativos em torno de US$ 1,9 trilhão. A África Subsaariana corresponde a apenas 2% desse total. Apesar disso, a região continua sendo um terreno fértil. Isso porque a população islâmica no continente africano ronda os 250 milhões e continua crescendo. E segundo dados do Banco Mundial, cerca de 350 milhões de africanos não têm conta bancária.

Muitos países africanos disputam para se tornar o polo do continente em relação aos serviços financeiros voltados para islâmicos. O Quênia, cuja população muçulmana é bem menor que a da Etiópia, tem três bancos islâmicos e uma companhia de seguros islâmica. Em dezembro do ano passado, o país se tornou membro do Conselho de Serviços Financeiros Islâmico, um órgão de regulamentação com sede na Malásia. Além disso, o Quênia planeja emitir sukuks, ações cujas regras atendem à lei islâmica.

No norte da África, onde a população muçulmana chega a 96%, o setor de serviços financeiros voltados a islâmicos sempre permaneceu travado, por conta do temor de que eles trouxessem junto consigo a implementação do wahabismo, a versão extrema da lei islâmica.

Contratos e serviços financeiros que obedecem à lei islâmica são complexos e necessitam de supervisão especial. Porém, entusiastas do setor afirmam que há uma latente demanda pelos serviços entre a população muçulmana da África. Evidências sugerem que alguns muçulmanos africanos evitam os bancos e outros serviços financeiros convencionais por questões religiosas. Segundo um estudo do Banco Mundial, um africano muçulmano é menos inclinado a ter uma conta bancária ou uma poupança do que um africano não muçulmano.

Fontes:
The Economist-Africa is Islamic banking’s new frontier

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *