Início » Brasil » Socorro do FGTS à Caixa pode não sair do papel
CAPITALIZAÇÃO BILIONÁRIA

Socorro do FGTS à Caixa pode não sair do papel

Equipe econômica afirma que empréstimo de R$ 15 bilhões pode não se concretizar por conta de crise administrativa no banco estatal

Socorro do FGTS à Caixa pode não sair do papel
Crise na Caixa pode colocar crédito imobiliário em cheque (Foto: Agência Brasil)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

O empréstimo de R$ 15 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) que socorreria a Caixa Econômica Federal corre o risco de não sair do papel. A recente crise no banco, provocada pelo afastamento de quatro vice-presidentes por suspeita de corrupção e irregularidades, colocou em xeque a operação financeira, segundo fontes do Ministério da Fazenda ouvidas pelo jornal Estado de S. Paulo.

Segundo o jornal, o empréstimo à Caixa aprovado pelo presidente Michel Temer já sofria resistência no ministério, mas os desdobramentos da investigação que acusa os executivos do banco de suspeita de corrupção agravaram ainda mais a situação e a equipe econômica já trata a liberação do socorro financeiro como inviável.

Entretanto, há uma pressão da ala governista para que a operação aconteça, a fim de mover recursos destinados aos trabalhadores para que o banco turbine a concessão do crédito imobiliário em ano de eleição. Mesmo assim, a equipe econômica considera que o governo não conseguirá sustentar uma capitalização desse porte.

Com isso, a Caixa pode se ver obrigada a reduzir a carteira de crédito imobiliário e interromper a concessão de financiamentos. A continuidade do crédito habitacional dependia desse socorro financeiro, já que a sua manutenção poderia tirar o banco das novas regras internacionais de prudência do setor financeiro, firmados no acordo internacional da Basileia e que entram em vigor neste ano.

De acordo com o jornal Globo, a Caixa e o FGTS já vinham negociando o empréstimo desde outubro do ano passado, mas o governo decidiu segurar a operação depois que o Ministério Público, junto ao TCU, tentou bloqueá-la. Os procuradores alegam que há um conflito de competência, já que os recursos do FGTS são geridos pela Caixa.

O empréstimo foi sancionado sem vetos por Temer no último dia 4 e o governo aguardava apenas a análise do Tribunal de Contas da União (TCU) para saber se a operação era possível de acontecer para que ela de fato ocorresse.

Vice-presidentes afastados

Na última terça-feira, 16, Temer determinou o afastamento de Antonio Carlos Ferreira (vice-presidente corporativo), Deusdina dos Reis Pereira (vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias), Roberto Derziê de Sant’anna (vice-presidente de Governo), e José Henrique Marques da Cruz (vice-presidente de clientes, negócios e transformação digital).

A decisão veio por recomendação do Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPF-DF) e pelo Banco Central (BC), que inicialmente haviam pedido o afastamento de todos os 12 vices da Caixa e haviam enviado um ofício afirmando que Temer poderia ser responsabilizado por crimes que viessem a ser cometidos pelos vices da Caixa.

Os quatro são acusados de cometer desvio de recursos de fundos de pensão de bancos públicos e de estatais, de liberar recursos do Fundo de Investimentos do FGTS (FI-FGTS) em troca de propina, de fraudes na liberação de créditos da Caixa em troca de propina, entre outros delitos.

Crise dificulta reforma da Previdência

A decisão de afastar os vices da Caixa pode complicar os objetivos de Temer em aprovar a reforma governamental mais importante de sua administração: a da Previdência. Isso porque alguns dos dirigentes afastados foram indicados por partidos e com isso presidente terá que lidar com a insatisfação de alguns parlamentares da base aliada.

Com as investigações, esses parlamentares temem perder o poder de nomear indicados na Caixa, o que ampliaria ainda mais o desgaste e que poderia inviabilizar a aprovação da reforma.

Fontes:
Estado de S. Paulo-Equipe econômica deve barrar socorro do FGTS à Caixa
O Globo-Sem R$ 15 bilhões do FGTS, créditos imobiliários podem diminuir
O Globo-Crise na Caixa dificulta aprovação da reforma da Previdência e empréstimo do FGTS à instituição
G1-Entenda o que motivou o afastamento de quatro vice-presidentes da Caixa

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *