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Sul-africanos têm mais dívidas do que empregos

A concessão de empréstimos muitas vezes sem critérios definidos é um motivo de inadimplência na África do Sul, onde a maioria da população está desempregada

Sul-africanos têm mais dívidas do que empregos
Dos 37 milhões de sul-africanos adultos, 25 milhões devem dinheiro a instituições financeiras ou a lojas que oferecem crédito (Foto: Pixabay)

O mês de janeiro é estressante para os sul-africanos. Após o Natal e as férias de verão, chegam as contas para pagar. Um site de anúncios está cheio de pedidos de ajuda.“Preciso de um empréstimo urgente”, diz um deles. Os programas de rádio oferecem sugestões de sobrevivência financeira.

Mas o resto do ano não é muito diferente do mês de janeiro. Segundo o Banco Mundial, os sul-africanos detêm o recorde de pedidos de empréstimos no mundo. Um estudo publicado em 2014 mostrou que 86% da população tinha feito empréstimos no ano anterior.

A maioria pede dinheiro a amigos ou parentes, porém 25 milhões dos 37 milhões de sul-africanos adultos devem dinheiro a instituições financeiras ou a lojas que oferecem crédito. Pouco mais de 10 milhões de pessoas têm um emprego formal, portanto, a taxa de inadimplência é alta, de acordo com a agência governamental National Credit Regulator.

O crescimento econômico é lento e a taxa oficial de desemprego é de 28% ou 37% em uma estimativa mais realista. Os sul-africanos negros com empregos fixos muitas vezes têm de sustentar um grande número de parentes desempregados. A primeira pessoa a frequentar a universidade ou a ganhar um bom salário precisa pagar os estudos de parentes mais novos, ou outras despesas familiares. “Os sul-africanos estão pedindo empréstimo para suprir suas necessidades diárias”, disse John Manyike, diretor da companhia de seguros Old Mutual.

Mas o endividamento não se limita à classe média negra. Em 2005, o governo afundado em dívidas do presidente Jacob Zuma recebeu ajuda de Nelson Mandela, que lhe emprestou 1 milhão de randes (US$148,000).

No entanto, os que não têm amigos ricos como Zuma, recorrem aos estelionatários. Muitos dos clientes dos mashonisas têm empregos, porém não podem pedir empréstimos em instituições financeiras por causa de suas baixas pontuações de crédito. Porém, isso não impede que os agiotas emprestem dinheiro a juros mais altos do que o mercado.

Algumas empresas estão sendo multadas por não fazerem uma análise do perfil dos clientes antes de concederem empréstimos, como a rede de supermercados Shoprite multada em 1 milhão de randes, em setembro. O governo também está elaborando medidas regulatórias para reprimir os empréstimos ilegais.

Há alguns sinais encorajadores de mudanças no comportamento do consumidor. Em 2017, o TransUnion Consumer Credit Index, um índice que avalia a concessão de empréstimos e o pagamento das dívidas, observou uma pequena melhora no nível de endividamento. Mas advertiu que a alta taxa de desemprego e os salários estagnados pressionam os orçamentos das famílias em um círculo vicioso do aumento de dívidas.

 

 

 

 

Fontes:
The Economist-In South Africa, more people have loans than jobs

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