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Superávit, FED, Copom e livro bege – a economia tem cada uma…

O Opinião e Notícia estreia hoje, 8 de setembro, uma nova coluna sobre economia e seu impacto na vida dos brasileiros. Quem assina é o jornalista Claudio Carneiro. Confira!

Superávit, FED, Copom e livro bege – a economia tem cada uma…
Pressão de ministros contribuiu para a queda dos juros de 12,50% para 12% (Reprodução/Internet)

Como o aluno que tem de prestar contas com a professora, o governo fez a lição de casa com suas contas públicas no apagar das luzes de agosto. O superávit primário – a projeção da diferença entre as receitas do governo e suas despesas (igualzinho ao que acontece na sua casa) – cuja meta era de 2,9% do PIB, deverá atingir os 3,2% – cerca de R$ 118 bilhões.

Isso quer dizer que o governo terá R$ 10 bilhões a mais para pagar a dívida pública, evitando pressões inflacionárias adicionais. Ou seja, o governo faz o mesmo que todos gostaríamos de fazer com nossos orçamentos: guardar dinheiro e  sofrer menos com os juros – mesmo gastando tanto quanto em 2010. O aluno desta fábula é o ministro da Fazenda Guido Mantega. E a professora Dilma parece feliz com o desempenho dele.

Igual ao que acontece em nossas vidas, quanto menos dívidas tivermos menores serão os juros que se esvaem por entre nossos dedos. Quem paga conta em atraso sabe muito bem o que os juros de cartão de crédito ou de cheque especial provocam num orçamento debilitado. No âmbito do governo, o aumento do superávit já teve seus desdobramentos e resultou na inesperada redução das taxas de juros anunciadas a cada 45 dias nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Na reunião ordinária do último dia 31 de agosto não deu outra: a pressão dos ministros da base política do governo contribuiu para a queda dos juros de 12,50% para 12%. Diretor executivo para a América Latina da Ipreo – empresa que presta serviços de análises de mercado na área de investimentos – Fernando Carneiro não vê incoerência ou precocidade do governo: “Ele apenas se posiciona como mais pessimista em relação ao cenário externo. A situação fiscal não foi enfrentada de forma estrutural. Podemos ter momentos de maior bonança fiscal aqui e ali, mas são eventos sazonais. Em caso de encarecimento recorrente do preço do capital, teremos que voltar ao remédio monetário, pois a resposta fiscal estrutural não é sentida pelo mercado com maior rapidez”, avalia. 

Analistas de mercado já estão de olho na próxima reunião – no dia 19 de outubro – que dirá se o governo está jogando certo. Ou errado. “O governo indica viés de queda forte na sua intenção teórica, mas temos que aguardar algumas tendências de comportamento de bolsa, inflação e confiança. Talvez fosse melhor uma queda de .25 na taxa Selic indicando um afrouxamento mais prudente”, interpreta Carneiro. 

Reuniões como estas do Copom foram inspiradas – digamos assim – naquelas que ocorrem nos Estados Unidos e que resultam na elaboração de um sumário sobre a atividade econômica daquele país – o Livro Bege – que serve de base para decidir a política monetária do Federal Reserve Bank (FED) – o Banco Central norte-americano. Estas reuniões ocorrem oito vezes ao ano, o que dá, exatamente, uma a cada 45 dias.

Passado esse período, o BC volta a se reunir. Além da reunião de 19 de outubro, haverá outra, em 30 de novembro, antes do fim do ano. “Penso que numa hora de incerteza, o mais importante é ser cauteloso e não arrojado. Isso é o que me preocupa. Podemos ter até o final do ano uma situação fiscal deteriorada somada a uma inflação maior, pois é período de Natal, férias etc. Gerenciar a demanda agregada será uma missão muito complicada”, conclui o economista.

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6 Opiniões

  1. Helo disse:

    Excelente a coluna. Nós que não somos da área precisamos entender o que acontece na economia no Brasil e no mundo para não levarmos nehum susto.

  2. Beta disse:

    Os termos de economia às vezes parecem uma sopa de letrinhas para leigos como eu! Interessante ver como essas “letrinhas” impactam a nossa vida.

  3. celso disse:

    Ao menos agora os economistas do Banco Central se anteciparam. Na crise de 2008, enquanto a maioria dos Bancos Centrais de outros paises tomaram decisões pontuais reduzindo seus juros, o BC Brasileiro manteve as altas taxas por mais alguns meses, inclusive subindo em set.

    http://www.bcb.gov.br/?COPOMJUROS

    Jul2008 13 ago2008 13 set2008 13,75 out2008 13,75 nov2008 13,75 jan2009 12,75 mar2009 11,25.

    Já O BC Americano, conforme site abaixo, vinha baixando suas taxas desde jan2008 4,25 culminando com a taxa atual em set2008 de 0,25

    http://www.tradingeconomics.com/united-states/interest-rate

  4. João Cirino Gomes disse:

    Para o povo questionar, as premissas que embasam!
    O presente colapso, econômico e social que passam!

    Por conta disso, se acostumaram, a conviver com a economia!
    Que financia o estelionato político, o caos social e a tirania!

    Sistema capitalista plenamente falido, acompanha o spread bancário!
    E da maneira que nos mostram, é uma aberração irrefutável e falsário!

    Um grupo de bandidos, institucionalizados e banqueiro!
    Empresta a 02%25 aos Estados, e a 100%25 ao Brasileiro!

    E desse mesmo Estado 80%25, serve para abastecer, a tal corrupção!
    E o roubo esta impregnado, nas entranhas do país e na mente do cidadão!

    Tudo passa como “normal”, enquanto que na verdade!
    Este é um crime gigantesco, inaceitável em sociedade!

    Contra o povo brasileiro, produz somente flagelos!
    Criando bandos sem opção, de marginais denegridos!
    Roubando o pão de crianças!
    Concentrando o poder financeiro, nas mãos dos piores bandidos!

    Tornam as verbas de nossos impostos, um crime ilícito, mas institucional!
    E o povo já percebe, que o político brasileiro é o CANCER NACIONAL!

    Vamos acordar minha gente!
    As promessas que foram feitas!
    Não são tão diferentes!
    Vamos preparar o povo e a mente!

    E fazer uma limpeza de cloaca, nessa elite neofascista!
    Que infesta o presente, não desanime nem desista!

    Seremos otimistas, temos forças e vamos em frente!
    Retirar os corruptos, que degradam nossa sociedade, mal formada, mal informada, ludibriada, escravizada, inocente e carente!

  5. disse:

    o copom reduziu a taxa básica de juros mas o que muda na nossa vida é tão pouco… até quando vamos pagar 10% ao mês de cheque especial e cartão de crédito?

  6. celso disse:

    Prezado Rê,
    Cheque especial e cartão de crédito com estas taxas não são para serem usados. Nos EUA tem muita gente falida pelo seu uso e o juro é mais comportado.

    A mudança em nossas vidas poderá acontecer em função da redução da despesa do tesouro com juros e a possibilidade de maiores investimentos no que interessa:saúde, segurança, educação, infra-estrutura, e quem sabe com menos impostos para que possamos comprar carros, por ex., ao preço que são praticados nos EUA e China. Já pensou a nossa indústria pagando menos impostos?? É um sonho que poderá se tornar realidade.

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