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The New York Times

Tornando-se verde sem chegar a lugar nenhum

As mudanças necessárias são tão grandes e profundas que estão além do alcance da ação individual*

Tornando-se verde sem chegar a lugar nenhum
Ações isoladas têm pouco impacto sobre o planeta (Reprodução/Internet)

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Você reduz, reutiliza e recicla. Você se recusa a usar sacolas plásticas e de papel. Você evita uvas fora da estação. Você faz todas as coisas certo. Isso é bom, mas saiba que nada disso vai salvar o atum, proteger a mata atlântica ou frear o aquecimento global. As mudanças necessárias são tão grandes e profundas que estão além do alcance da ação individual.

Você recusa uma sacola plástica no caixa acreditando que esse gesto isolado faz alguma diferença, em seguida, você leva sua comida-para-viagem de volta para o seu carro, para uma volta para casa regada à emissão de carbono.

Mas digamos que você esteja disposto a fazer sacrifícios reais. Venda seu carro. Abdique de seu ar-condicionado no verão, abra mão dos banhos quentes no inverno. Tente se tornar uma pessoa de impacto. Você de fato não teria impacto nenhum sobre o planeta. Os norte-americanos, por exemplo, continuariam a emitir uma média de 20 toneladas de dióxido de carbono ao ano; os europeus, cerca de 10 toneladas.

E que tal pensar maior? Você é o papa com um bilhão de seguidores ,e digamos que todos eles levam as suas palavras a sério. Se todos os católicos reduzissem suas emissões da noite para o dia, o planeta certamente perceberia, mas a poluição continuaria a aumentar.

Então por que se importar em reciclar ou ir de bicicleta ao supermercado? Porque todos nós queremos fazer algo, qualquer coisa. Pode chamar esse instinto de “inclinação à ação”. Contudo, infelizmente, a ação individual não funciona. Esta nos distrai da necessidade da ação coletiva, e no total não contribui muito. Autointeresse, não autosacrifício, é o que engendra a mudança perceptível. Somente as políticas econômicas certas permitirão a nós indivíduos sermos guiados pelo autointeresse e ainda assim fazer a coisa certa para o planeta.

A realidade é que não podemos superar a ameaça global do efeito estufa sem mencionar a verdade inconveniente máxima: estimular as pessoas a fazer sacrifícios ambientais individuais está fadado ao fracasso.

Não pare de reciclar. Não pare de comprar produtos locais. Mas adicione a sua lista de afazeres aprender algumas lições de economia básica.

*Texto traduzido e adaptado pelo Opinião e Notícia

Fontes:
The New York Times - Going green and getting nowhere

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2 Opiniões

  1. rudy lang disse:

    Infelizmente já ultrapassamos, em muito, o número máximo de passageiros que a astronave GAIA é capaz de transportar, sem perder a sua capacidade de regeneração expontânea. Visto que o que tinha que ser feito até 1970 ainda não começou a ser feito, o negócio agora é torcer para que a ciência nos livre desta enrascada. De qualquer maneira, as projeções sobre o número de habitantes no planeta, a longo prazo, apontam para uma diminuição do número de passageiros dentro dos próximos 50 anos. Vamos ver se agüentamos até lá.
    Em tempo: definitivamente acho que VERDE é a nova cor da praga desenvolvida Karl Marx e seu gigolô, Friedrich E. Devido ao filhote desta praga, chamado, POLITICAMENTE CORRETO, estamos enfrentando esses problemas.

  2. Edna da Penha de Freitas disse:

    A união faz a força…
    De grão em grão a galinha enche e papo…e a cada atitude estúpida, a cada nova criação de embalagens, comida ou mesmo eletrônicos, conseguimos viver o caos.
    Mas, a união faz a força.

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