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MUNDO ÁRABE

Tunísia precisa de ajuda para superar crise econômica

Embora seja considerada uma das poucas histórias de sucesso da Primavera Árabe, a crise econômica é um fator de instabilidade política na Tunísia

Tunísia precisa de ajuda para superar crise econômica
Os tunisianos estão perdendo a fé na democracia (Foto: Pixabay)

“Pão, liberdade, dignidade.” Essas foram as reivindicações dos manifestantes tunisianos que derrubaram o regime ditatorial de Zine el-Abidine Ben Ali e que deram início à Primavera Árabe em janeiro de 2011. Os tunisianos agora têm mais liberdade e condições de vida mais dignas. Mas o país está mergulhado em uma grave crise econômica. O PIB per capita manteve-se quase inalterado desde a queda da ditadura. Mais uma vez os manifestantes invadem as ruas desta vez protestando contra o aumento de impostos, cortes de subsídios e desemprego.

Nove governos em sete anos não conseguiram recuperar a economia. Os tunisianos estão perdendo a fé na democracia. Alguns querem o retorno de Ben Ali, porque em um sentimento mesclado de nostalgia e idealização eles lembram que pelo menos havia emprego durante seu governo. Mas, na verdade, Ben Ali torturou os dissidentes, oprimiu os trabalhadores e saqueou os cofres públicos.

O futuro tão desejado pelos tunisianos depende do sucesso da transição democrática. Porém, para criar um clima de estabilidade democrática, o governo precisa promover o crescimento econômico. Nos últimos anos, os atentados terroristas no Museu Nacional do Bardo e no balneário de Sousse afetaram o setor de turismo, essencial para a economia do país. O governo também enfrenta a mobilização dos sindicatos poderosos que na primeira sugestão de cortes no setor público, estimulam as manifestações nas ruas, ou paralisam o país com greves.

O primeiro-ministro Youssef Chahed manteve-se firme em sua decisão de aumentar os impostos e cortar subsídios, apesar dos protestos recentes. Ele conseguiu um empréstimo do FMI de €2,4 bilhões (US$2,9 bilhões) em troca de reformas econômicas e de uma política de austeridade. Mas o governo, uma coalizão de partidos nacionalistas e islamitas, fez apenas esforços tímidos para reduzir o déficit orçamentário equivalente a 6% do PIB no ano passado e manter a dívida pública sob controle.

A economia é monopolizada pelo Estado. Cerca de 20% dos trabalhadores têm empregos no setor público e seus salários consomem quase 14% do PIB, um dos gastos mais altos do mundo com o pagamento do funcionalismo público. As empresas controladas pelo governo são ineficientes. Nos últimos 10 anos, a companhia estatal de petróleo aumentou seu quadro de funcionários em 14%, apesar da queda de 29% na produção de petróleo. As receitas provenientes da venda de petróleo, gás e fosfato não são investidas na infraestrutura necessária para aumentar a extração e a produção dessas matérias-primas, sobretudo no interior do país.

Os países desenvolvidos poderiam ajudar mais a Tunísia em sua transição democrática e recuperação econômica. A abertura do mercado de importação de produtos tunisianos nos Estados Unidos e na Europa aumentaria o volume de exportação de tâmaras, vestuário e equipamentos elétricos, entre outros itens. Em 2016, a União Europeia aumentou as cotas de importação de azeite da Tunísia por um período de dois anos.

No entanto, cabe ao governo pôr em prática medidas para reduzir o controle estatal, proteger o sistema financeiro do país, incentivar o retorno dos investidores estrangeiros, diminuir a taxa de desemprego e equilibrar a desigualdade econômica entre a região costeira mais próspera e o interior do país.

Fontes:
The Economist-Tunisia needs help if it is to remain a model for the Arab world

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