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Um guia inesperado na busca de um bom emprego

Livro ensina como aumentar a chance de ser contratado por empresas com faturamento anual de pelo menos US$ 1 bilhão

Um guia inesperado na busca de um bom emprego
É preciso ficar atento às mínimas palavras dos entrevistadores (Foto: Pixabay)

Os consultores de gestão empresarial, os bancos de investimentos e os grandes escritórios de advocacia são a Santíssima Trindade para um jovem e promissor executivo. Eles recrutam até um terço dos recém-formados nas melhores universidades do mundo. Oferecem salários superiores a US$100,000 e acenam com a possibilidade de salários ainda maiores. Além disso, proporcionam uma oportunidade de ascensão pessoal e profissional. Segundo a McKinsey, mais de 440 de seus consultores trabalham em empresas com um faturamento anual de pelo menos US$1 bilhão. Os executivos-chefes dos órgãos do governo e dos bancos centrais foram executivos do Goldman Sachs. As empresas de tecnologia, apesar do rápido crescimento, não concentram um número tão elitista de profissionais.

Então, como aumentar a chance de ser contratado por essas empresas que trabalham com equipes de altíssimo nível profissional? Lauren Rivera da Kellogg School of Management da Universidade Northwestern dedicou dez anos de sua vida acadêmica à pesquisa das formas de recrutamento dessas empresas. O resultado, o livro Pedigree: How Elite Students Get Elite Jobs, é um trabalho acadêmico com referências à teoria de gênero e a conceitos marxistas de desigualdade. No entanto, após uma leitura minuciosa, o livro revela-se um guia útil para quem se interessa em fazer parte dessa elite global.

Mas para ter a chance de ingressar nesse pequeno grupo de elite é preciso estudar em uma das oito universidades privadas de maior prestígio científico e de excelência acadêmica dos Estados Unidos (onde Lauren Rivera fez seu trabalho de campo) ou nas universidades de Oxford e Cambridge na Inglaterra. As empresas gastam milhões de dólares nessas instituições para atrair os possíveis candidatos durante o período de seleção, como despesas de bebidas e alimentação grátis. Porém, como mencionado por Rivera, as empresas rejeitam a maioria dos alunos que entrevistam: é preciso ter outras qualidades, além de um excelente currículo, para ser escolhido.

O perfil do entrevistador é crucial no processo de seleção. Em geral, as empresas de consultoria, bancos de investimentos e escritórios de advocacia, escolhem executivos da área de investimentos ou de geração de renda, em vez de profissionais de recursos humanos para fazerem a seleção de candidatos ideais. Os entrevistadores tentam conciliar suas tarefas diárias com o trabalho de recrutamento; poucas vezes releem um formulário de inscrição por mais de um minuto. O comportamento deles na sala de entrevistas não foge ao padrão: seguem um roteiro predeterminado, com conversas iniciais descontraídas e, em seguida, fazem perguntas pessoais e apresentam problemas relacionados ao trabalho. E com isso se sentem aliviados do tédio cotidiano.

Por isso, os candidatos têm de ser espertos e rápidos.  É preciso ficar atento às mínimas palavras dos entrevistadores. E adulá-los dizendo que são “os melhores dos melhores”. Os principais executivos das empresas de consultoria, dos bancos de investimentos e de escritórios de advocacia sabem que os melhores profissionais em momentos difíceis não são os super inteligentes, e sim os autoconfiantes. Na verdade, o mundo não será dominado por uma “elite cognitiva”, mas por uma “elite autoconfiante”.

Fontes:
The Economist - How to join the 1%

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