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União Europeia deve restringir compra de aço brasileiro

Sete produtos brasileiros devem ser limitados pela União Europeia, que levará o plano para votação na próxima quarta-feira, 16

União Europeia deve restringir compra de aço brasileiro
Brasil deve ter mais um ano complicado, em termos de siderurgia, em 2019 (Foto: Pixabay)

Após um ano de 2018 complicado, o mercado de aço brasileiro deve continuar tendo dificuldades em 2019. Isso porque, enquanto, no ano passado, precisou lidar com sobretaxas impostas pelos Estados Unidos, na próxima quarta-feira, 16, pode ter as suas exportações limitadas pela União Europeia.

Cumprindo as exigências dos EUA, o Brasil ficou isento das sobretaxas, mas precisou reduzir o volume das exportações, a pedido do governo americano. No entanto, a situação com a União Europeia parece mais delicada.

No último dia 4 de janeiro, a Comissão Europeia informou a Organização Mundial do Comércio (OMC) que os produtos importados no mercado de aço estão afetando negativamente o bloco. A análise é o resultado de investigações iniciadas em março de 2018, durante a batalha comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao aço mundial.

Isso porque, segundo os resultados, a Europa foi inundada com importações de aço, que teriam os Estados Unidos como destino anterior. Segundo a União Europeia, a importação “aumentou de forma significativa”, o que criou distorções na indústria do aço europeia.

De acordo com a proposta da União Europeia, que deve ser votada na próxima quarta-feira, sete produtos brasileiros podem sofrer restrições. Enquanto isso, outros 16 produtos chineses, 17 turcos e 15 indianos também aparecem na lista. Caso a medida seja aprovada, entrará em vigor até o dia 4 de fevereiro. Os governos poderão manter negociações durante este período.

“Essas decisões mais recentes da União Europeia ratificam o efeito dominó do excesso global de capacidade (em torno de 530 milhões de toneladas de aço) e da guerra comercial entre China e Estados Unidos”, explicou Marco Polo de Mello Lopes, presidente do Instituto Aço Brasil (IABr), segundo noticiou o Estadão.

Em 2017, o Brasil exportou 3,9 milhões de toneladas de aço para a União Europeia, cerca de 18% da sua capacidade geral de exportação. Os produtos semiacabados, que integram a maior parte dessa exportação, não foram incluídos na lista de restrição.

“O maior volume exportado pelo Brasil à UE é de aço semiacabado (2,4 milhões de toneladas em 2017), que ficou de fora. O país vai passar a disputar uma cota global de 1,2 milhão de toneladas para exportar chapa grossa, por exemplo”, afirmou o presidente do IABr. No entanto, mesmo o principal volume não sendo restringido, a indústria do aço acaba sendo afetada pela imposição de mais barreiras.

O Brasil, por exemplo, teria mais dificuldades para exportar chapas grossas e metálicas, laminados a frio e outros tipos de aço para a União Europeia – esses produtos estão na lista de restrição. Segundo Lopes, a indústria do aço brasileira passa por uma crise desde 2015, utilizando apenas 69% de sua capacidade de produção.

Em termos de indústria, a medida de aplicar restrição a produtos internacionais não é vista com bons olhos por todos. Construtores de automóveis, por exemplo, categorizam as restrições como protecionistas, além de observarem a possibilidade de prejuízo econômico. A Eurofer, que representa a indústria siderúrgica europeia, por outro lado, defende  a medida.

 

Leia também: Entenda a questão das tarifas dos EUA ao aço e alumínio

Fontes:
Valor Econômico-UE deve restringir a compra de sete tipos de aço do Brasil
Estadão-União Europeia deve impor limites à importação de aço brasileiro

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