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Indústria automobilística

Volkswagen e o sonho da fibra de carbono

Grandes montadores começam a utilizar o produto na montagem de seus carros para torná-los mais leves e reduzir custos

Volkswagen e o sonho da fibra de carbono
Por suas qualidades, a fibra de carbono foi usada no novo McLaren MP4-12C (Fonte: Economist)

A Volkswagen apareceu com uma surpresa na mostra de carro de Genebra, esta semana. A montadora anunciou que irá investir € 140 milhões em um pedaço de 8% da SGL Carbon, uma empresa alemã que constrói as coisas a partir de materiais compostos por fibra de carbono. A notícia surpreendeu a muitos, já que SGL é uma peça fundamental na busca da BMW pelo uso da fibra de carbono para fabricar veículos mais leves. A BMW também adquiriu sua parte da empresa. Ferdinand Piëch, presidente da Volks, diz não acreditar que partilhar a mesma empresa com uma de suas maiores rivais será um problema. Ferdinand tem boas razoes para acreditar nisso, já que o uso de fibra de carbono está se tornando uma área crítica de vantagem competitiva para as montadoras.

Para a indústria de automóveis, a corrida para dominar a tecnologia da fibra de carbono começou há 30 anos, quando a Mc Laren — equipe britânica da Fórmula 1 — construiu um carro de corrida com uma única fibra de carbono monocoque (estrutura única e integrada). Dirigido por John Watson, o carro venceu o Grand Prix de Silverstone, na Inglaterra, em 1981. Em poucos anos, todas as equipes de Fórmula 1 disputavam carros de fibra de carbono.

O que chama a atenção na fibra de carbono é que ela é extremamente forte, razão pela qual pilotos de Fórmula 1 saem ilesos de terríveis acidentes. Mas, também é bastante leve — cerca de 30% mais leve que o alumínio e 50% mais leve que o aço. Um carro mais leve pode andar muito mais rápido ou usar menos combustível, e, até mesmo, realizar uma combinação de ambos. Por isso, a fibra de carbono vem sendo usada para construir dois supercarros, como o novo McLaren MP4-12C e uma série de carros elétricos desenvolvidos pela BMW. Com eletricidade e carros mais leves, o desempenho e alcance dos veículos podem aumentar.

A grande dificuldade é que a fibra de carbono pode ser um material caro e de grande dificuldade para se trabalhar. Os fabricantes de produtos de alta performance, como asas de aviões, estão dispostos a pagar um custo extra para agregar seu desempenho. Mas para levar esse aumento no desempenho para os mercados de produtores mais amplos é necessário encontrar maneiras mais adequadas de produzir fibra de carbono em largo volume. E é isso que companhias como SGL e McLaren estão agora fazendo. Daí o interesse da Volks.

A BMW já havia se impressionado com o potencial da fibra de carbono. A empresa vem trabalhando com a SGL em um tipo de processo de modelagem por injeção que pode produzir as peças em apenas alguns minutos. O processo será totalmente realizado por robôs. As peças podem ser coladas e partes maiores serem feitas como um único componente. Como a indústria aeroespacial já descobriu, produzir coisas com menos peças reduz os custos de montagem. Os carros também apresentam uma boa performance em testes de colisão, mostrando que, em muitos casos, as peças destruídas podem ser reparadas. Os compostos de carbono ainda são resistentes à corrosão, diferente do aço.

Anthony Sheriff, diretor da divisão automotiva da Mc Laren, acredita que a fibra de carbono será usada em mais correntes principais de produção. McLaren, que vem trabalhando com a CarboTech, outra empresa alemã especializada em compostos de carbono, planeja construir cinco mil carros por ano com fibra de carbono em uma nova fábrica perto da sua base em Woking — o que em termos de supercarros, é uma produção em massa.

Fontes:
Economist - VW buys into BMW's carbon-fibre dream

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2 Opiniões

  1. sujeito oculto. disse:

    voces querem saber, ou não entendo como pode , não estamos preocupados com o meio ambiente,então, não teria que se preocupar com a descoberta de um combustivel alternativo sem puluição . Carro não ´feito pra aguentar pancadas,é só dirigir com responsabilidade. Teria que ser mais acessivel para as classes menos favorecidas, os que temos no mercado já basta.

  2. jefferson disse:

    pois é, seria muito menos custoso educar futuros motoristas desde o ensino fundamental a ter que investir milhões de euros em um material mais resistente.
    isto é tapar o sol com uma peneira.
    eu colocaria um filho meu numa escola que ensinasse sobre direção defensiva.
    dirigir carro deveria ser mais uma matéria nas escolas do Brasil, e do mundo.

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