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CENSURA

Polícia chilena expulsa jornalista que arguiu Temer sobre corrupção

Durante a posse do presidente Sebastián Piñera, o repórter abordou Temer e tentou ouvi-lo sobre corrupção, mas acabou expulso com violência do Congresso

Polícia chilena expulsa jornalista que arguiu Temer sobre corrupção
Eyzaguirre foi expulso do Congresso Nacional por homens armados (Foto: Reprodução/Instagram)

A grande imprensa brasileira – exceção se faça ao online da revista Veja – não deu uma única linha sobre a saia justa sofrida pelo presidente Michel Temer em Valparaíso, no Chile, no último domingo, 11. Durante a posse do presidente Sebastián Piñera, o repórter do programa de TV CQC chileno, Sebastian Eyzaguirre, abordou o brasileiro e tentou ouvi-lo sobre corrupção. Acabou expulso com violência do Congresso Nacional por “carabineiros” uniformizados e fortemente armados.

A força policial chilena não deu explicações para a truculência com um jornalista devidamente credenciado para o evento. Eyzaguirre tentou ouvir Temer sobre os escândalos que enfrenta no país – ele que é o primeiro presidente da República denunciado por corrupção no exercício do cargo e a ter o sigilo bancário quebrado.

Imprensa chilena teve postura diferente

O formato do programa – misto de jornalístico com humorístico, exibido no Brasil em oito temporadas, de 2008 a 2015, pela Rede Bandeirantes – o CGC (“Custe o Que Custar”, em português, ou “Caiga Quien Caiga”, em espanhol) ainda resiste no Chile. A matéria foi rapidamente editada para exibição no programa desta semana.

O “barraco” teve ampla veiculação nos jornais chilenos – estupefatos com a violência dos policiais “carabineiros” durante a festa pretensamente democrática que marcava a recondução do Piñera ao cargo.  “Vergonha. O ‘CQC’ foi violentamente expulso. Carabineiros nos chutaram para fora. Linda a sua democracia. Apenas quando nós perguntamos ao presidente brasileiro por seus escândalos de corrupção. Sempre estivemos nas cerimônias de posse. Hoje nos irritou a filha de Bachelet [ex-presidente do Chile], o presidente corrupto do Brasil. É o ‘CQC’. Nada mais. Só fazemos o que as pessoas querem que alguém faça”, desabafou Eyzaguirre.

Temer: dos holofotes à sombra

Enquanto pensa seriamente em buscar a reeleição – recurso que lhe garante imunidades -, Temer enfrenta dificuldades na Justiça. A quebra de seu sigilo bancário, por exemplo, foi determinada pelo ministro Luís Roberto Barroso (do STF) na investigação que apura se o presidente da República recebeu propina em troca da edição de um decreto no âmbito dos portos – “delitos financeiros”, nas palavras do ministro.

Barroso, aliás, marca Temer da mesma forma implacável com que zagueiros abordam o Neymar em campo. Ele decidiu esta semana por esquartejar o indulto natalino editado e decretado pelo presidente no ano passado.

Para quem não se lembra, o indulto – uma prerrogativa do presidente da República – foi suspenso pela presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, a pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que o considerou inconstitucional. Barroso passou a tesoura no decreto, principalmente no trecho que tratava dos crimes de colarinho branco. A luz de Temer está perdendo o brilho.

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2 Opiniões

  1. Nilson Bennoti disse:

    A dificuldade brasileira de se livrar dos corruptos causa escândalo no mundo todo, até no Chile que nem é grande coisa.

  2. Beta disse:

    Liberdade de imprensa é fundamental em qualquer democracia. CQC pode ser esnobado pela grande imprensa – mas, com humor, consegue chegar no público jovem.

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