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REPÚDIO À ENTREVISTA

Portugal se insurgiu contra o espaço dado por emissora a conhecida figura da extrema-direita

Notório neonazista, criminoso condenado, Mário Machado foi apresentado na TVI como ‘autor de declarações polêmicas’

Portugal se insurgiu contra o espaço dado por emissora a conhecida figura da extrema-direita
Mário Machado (à direita) é um neonazista condenado por envolvimento em assassinato motivado por ódio racial (Foto: TVI)

Chama-se Mário Machado e foi condenado, no passado, por coação, roubo, sequestro, posse ilegal de armas e por envolvimento na morte, no assassinato, de um cidadão português nascido em Cabo Verde chamado Alcindo Monteiro – um crime de ódio racial ocorrido na região central de Lisboa no ano de 1995.

Chama-se, dizíamos, Mário Machado, hoje líder da organização portuguesa de extrema-direita “Nova Ordem Social”, e que na última quinta-feira, 3 de janeiro, foi convidado do programa “Você na TV”, da TVI, uma das emissoras de maior audiência em Portugal, na condição de “autor de algumas declarações polêmicas”.

O convite da TVI a Mário Machado e sua apresentação nada menos que singela ao distinto público vêm causando um “incêndio político” em Portugal, nas palavras daquele que hoje é o mais importante jornal português, o Público. No próprio Público foram publicadas, ato contínuo à entrevista, algumas das mais enérgicas reações ao espaço que se deu ao “rosto da extrema-direita em Portugal” logo nas primeiras horas do ano de 2019, ano do porco no calendário chinês.

No Público, o escritor, historiador e político Rui Tavares chamou atenção, em artigo intitulado “Destruam a Democracia e depois queixem-se”, para o que significa levar a estúdio “um reiterado criminoso racista para lhe perguntar se ‘precisamos de um novo Salazar’”, numa referência ao ditador que governou Portugal entre 1932 e 1968, sendo que o salazarismo durou ainda anos a fio após a morte do seu mote: até 1974, quando a Revolução dos Cravos lhe pôs fim.

Diversos renomados cientistas políticos, inclusive brasileiros, como José Paulo Netto, classificam o regime de Salazar como um regime fascista.

Ato contínuo – mais um, porque é sem hesitar que se defende a civilização – o ministro português da Defesa, João Cravinho, publicou no Twitter um endosso ao artigo de Rui Tavares. Cravinhos afirmou que amplificar a voz de Machado é algo semelhante, ou “não é muito diferente de quem ateia incêndios pelo prazer de ver as labaredas”.

A Associação SOS Racismo acusou a TVI de “branquear” (palavra que os portugueses usam muito no sentido de “naturalizar”, ou “disfarçar”) o racismo de Mário Machado. O Sindicato dos Jornalistas de Portugal apresentou queixa contra a TVI junto à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).

O humorista Ricardo Araújo Pereira, nascido em abril de 1974, precisamente quando Portugal se livrava do fascismo, disse que “convidar um nazi como Mário Machado, com o longo histórico que Mário Machado tem, e dizer que ‘é o autor de algumas declarações polêmicas’”, é a mesma coisa que ter como convidado o vírus da Aids e dizer: “aqui está o autor de algumas gaiatices com nosso sistema imunológico!”.

Diante do “incêndio político” em Portugal, a TVI suspendeu o quadro do programa “Você na TV” em que Mário Machado foi entrevistado. O quadro chama-se, chamava-se “Diga de Sua (In)Justiça”…

O apresentador do programa, Manuel Luís Goucha, defendeu a entrevista com o neonazista, defendendo-se, uma vez mais, singelamente, alegando que não se recusa a uma conversa. “Meus amigos, não sejamos hipócritas, estas ideias que põem em perigo a democracia já não precisam da televisão para repercutirem. Elas repercutem através das redes sociais e plataformas digitais”, disse Goucha, numa referência ao presidente recém-empossado do Brasil, Jair Bolsonaro.

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1 Opinião

  1. Almanakut Brasil disse:

    Ralhos, c* no mundo!

    Por que será que quando lançaram a moeda do Euro, esqueceram de colocar Portugal no mapa da Europa?

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