Início » Internacional » ‘Diplomacia avestruz’ da América Latina não vai funcionar para sempre
O problema da Venezuela

‘Diplomacia avestruz’ da América Latina não vai funcionar para sempre

Por que vizinhos da Venezuela cuidadosamente ignoram a crise ao lado

‘Diplomacia avestruz’ da América Latina não vai funcionar para sempre
Brasil, que tem força para peitar um país do tamanho da Venezuela, parece mais preocupado em proteger seus negócios no país vizinho (Reprodução/Internet)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Para presidentes latino-americanos de todos os quadrantes políticos, ter o líder da oposição venezuelana, Henrique Capriles, batendo à porta está longe de ser algo auspicioso nos dias de hoje. Não que Capriles seja um convidado particularmente chato ou desagradável, apesar dos grandes esforços do atual presidente venezuelano, Nicolás Maduro, para retratá-lo como um “fascista assassino”. É que convidar Capriles para uma xícara de chá pode desencadear todos os tipos de problemas com o país vizinho.  Que o diga o presidente colombiano Juan Manuel Santos.

Em 29 de maio, Santos teve uma reunião privada de cerca de uma hora com Capriles, o que provocou uma enxurrada de insultos por parte do governo venezuelano. O presidente colombiano havia “colocado uma bomba sob” as relações entre os dois países e a Venezuela terá de “rever” o seu apoio para as negociações de paz da Colômbia com as FARC, disse o governo venezuelano. Para piorar as coisas, Maduro acusou o “alto escalão” do governo colombiano de conspirar com a oposição venezuelana para injetá-lo com um veneno que levaria a uma morte lenta.

A razão da forte reação venezuelana é que Capriles, que quase ganhou a última eleição presidencial do dia 14 de abril, tem contestado o resultado do pleito no Supremo Tribunal Federal e está tentando persuadir os governos da região a apoiá-lo. Enquanto isso, Maduro lidera uma administração fraca e assolada por problemas políticos e econômicos. Ele está desesperado para consolidar o apoio internacional que Chávez costurou com sua diplomacia do petróleo. Com o carisma de Chávez enterrado, a legitimidade do novo presidente questionada e o dinheiro acabando, arrogância é um dos poucos recursos não escassos na Venezuela.

Esta semana, Capriles teria um encontro com o presidente do Peru Ollanta Humala, mas o governo peruano decidiu adiar a reunião até que avalie se vale a pena cutucar o vizinho com vara curta.

Abordagem de avestruz

A maioria dos governos latino-americanos e caribenhos é ideologicamente próximo ao regime chavista, dependente de sua generosidade petrolífera, ou simplesmente desinteressado em provocar a ira dos venezuelanos. A Organização dos Estados Americanos (OEA), cuja assembleia anual começou no dia 04 de junho, na Guatemala, é obrigado por um tratado a controlar as credenciais democráticas de seus membros. Mas a Carta Democrática da OEA, lançada em 2001, tem sido até agora usada apenas para proteger presidentes (incluindo Chávez) e castigar países pequenos, como Honduras e Paraguai. O Brasil, que teria moral e força para peitar um país do tamanho da Venezuela, parece mais preocupado em proteger seus negócios bilionários no país vizinho.

A abordagem de avestruz da América Latina pode não funcionar para sempre. Por um lado, a campanha da oposição venezuelana em toda a região está colocando presidentes sob a pressão de seus parlamentos e grupos cívicos para apoiar a democracia. Em segundo lugar, a fragilidade política da Venezuela e a fraqueza de Maduro ameaçam a instabilidade da região. Fechar a porta na cara do Capriles é uma política míope, bem como vergonhosa.

 

Fontes:
The Economist - Ostrich Diplomacy

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *