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CHINA

A ideologia comunista na literatura infantil da China

O contexto polí­tico ainda permeia a literatura infantil na China

A ideologia comunista na literatura infantil da China
Os pais e o Estado ainda acreditam que o papel dos livros é de moldar as jovens mentes e não diverti-las (Foto: Wikipedia)

Na época de Mao Tsé-Tung algumas atividades infantis, como a leitura, eram consideradas frí­volas e não havia incentivo à  publicaço de livros para crianças. Os poucos livros infantis tolerados contavam histórias da revolução e da luta de classes. Hoje, as crianças têm permissão para se divertirem mais. Porém embora a mensagem tenha mudado, os pais e o Estado ainda acreditam que o papel dos livros é moldar as jovens mentes e não diverti­-las.

As vendas de literatura infantil duplicaram na maior parte dos últimos dez anos, bem mais rápido do que o crescimento das vendas de livros em geral. O número de tí­tulos de livros infantis mais do que triplicou desde 2005. Em parte isso reflete a demanda crescente de produtos voltados para divertir e preencher o tempo dos filhos únicos. Apesar de o governo ter revogado a política do filho único, muitos casais chineses relutam em ter mais um filho por causa dos custos com a educação, além do tempo para se dedicarem a duas crianças. Essa atitude ajudou a estimular a demanda por livros. Os pais ricos são os que mais compram literatura infantil.

Os livreiros anteveem uma boa oportunidade de ganhar muito dinheiro. A maioria dos editores agora está publicando também literatura infantil. Cerca de metade dos 100 livros mais vendidos no ano passado na China destinavam-se a um público jovem, uma proporção maior do que na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Existe uma crescente variedade de gêneros. Livros ilustrados para crianças com menos de cinco anos fazem sucesso; e a venda de livros de ficção para adolescentes está aumentando.

Embora bem menos visí­vel do que na época de Mao, a polí­tica ainda é um tema recorrente na literatura. As editoras têm censores internos encarregados de garantir que as diretrizes do Partido Comunista não sejam transgredidas. A diretora de uma editora disse que evita publicar livros de história para crianças nos quais “a narrativa não é fiel à  história” aprovada pelo partido. Os mapas que mostram a ilha de Taiwan como um paí­s separado não são publicados. Até os livros que os pais leem na hora de dormir inserem-se em um contexto polí­tico.

Fontes:
The Economist-Much red reading books

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