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ESTUDO

Como o ato de cozinhar auxiliou a evolução humana

Estudo mostrou que não só os seres humanos primitivos trituravam e cortavam os alimentos em fatias, como também os cozinhavam para facilitar a digestão

Como o ato de cozinhar auxiliou a evolução humana
Proteínas são melhor absorvidsas se os alimentos forem cozinhados (Foto: Flickr/Moyan Brenn)

Em 2009, Richard Wrangham, um antropólogo da Universidade de Harvard, publicou uma tese intrigante. Ele queria responder a uma pergunta que há muito tempo despertara a curiosidade de pesquisadores de sua área: como um órgão que exige tanta energia para funcionar como o cérebro humano evoluiu? Antes do trabalho de Wrangham a resposta convencional era com a “ingestão de carne”, que é uma fonte rica em proteína.  Mas ele deu uma resposta diferente: “com cozimento.”

Wrangham mostrou que a facilidade de digestão e o valor nutritivo adicional proporcionado pelo processo de cozinhar alimentos com fogo (o calor do fogo altera o amido e as moléculas de proteína e, assim, facilita a absorção e assimilação dos alimentos pelo organismo) nutria o cérebro e o corpo. Além do uso do fogo, a tese de Wrangham também incluiu a preparação de comida com utensílios que cortavam e trituravam carne e legumes tornando-os mais fáceis de digerir e mastigar.

Um artigo publicado esta semana na revista Nature por Katherine Zink e Daniel Lieberman, dois colegas de Wrangham em Harvard, reforçou os argumentos dele, sobretudo, no que se refere à mastigação. Zink e Lieberman usaram réplicas dos utensílios de pedra com os quais o Homo erectus preparava a comida e observaram a reação das pessoas, que comeram os alimentos preparados com esses utensílios.

A suposta dieta paleolítica escolhida pelos dois pesquisadores incluía beterraba, cenoura e inhame, que armazenam seus nutrientes nas raízes, e carne de cabra. Eles prepararam os legumes de quatro maneiras: crus e não processados; crus e amassados seis vezes com a cópia do martelo de pedra do período Paleolítico até transformá-los em pedaços bem pequenos; crus e cortados em pequenas fatias; e cozidos por 15 minutos. A carne de cabra também foi servida de quatro formas: crua e não processada; crua e triturada 50 vezes com o martelo de pedra; crua e cortada em pequenas fatias; e cozida em uma grelha por 25 minutos. Em seguida, Zink e Lieberman serviram os alimentos para um grupo de voluntários, com o objetivo de testar a facilidade com que mastigavam as diversas formas de preparação dos legumes e da carne.

Com a finalidade de avaliar a reação dos voluntários, os pesquisadores conectaram elétrodos em seus maxilares para registrar a energia gasta no ato de mastigar. Depois os voluntários receberam amostras dos alimentos e foram orientados a mastigá-los até que fosse possível engoli-los.

Katherine Zink e Daniel Lieberman descobriram, de acordo com a tese original de Wrangham, que os legumes cozidos exigiam um terço da força para mastigá-los do equivalente à quantidade de legumes crus e não processados. Os legumes cortados em fatias não proporcionaram nenhum benefício, mas a maneira de prepará-los em pedaços minúsculos reduziu a força necessária para mastigá-los em cerca de 9%. Por sua vez, a carne cortada em pedaços bem pequenos não fez diferença, ao contrário da cortada em fatias.

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3 Opiniões

  1. Fernando disse:

    Faço uma pergunta: quem veio primeiro o ovo ou a galinha?
    A questão é que em milhões de anos de evolução humana, como em apenas 200 mil anos, o homem moderno se desenvolveu com uma inteligência fora dos padrões da natureza?
    Então, pergunto: o ato de cozinhar apareceu pela necessidade e daí desenvolveu a inteligência ou a inteligência criou deliberadamente o ato de cozinhar para suprir as necessidades de energia?
    Quem veio primeiro, é fundamental, pois determina a verdadeira causa do aparecimento do homem moderno. Penso!

  2. Fernando disse:

    Para completar, se a teoria estiver certa, então basta alimentar os animais com comida cozida que logo teremos seres tão inteligentes como nós.
    Algo não está completo nessa teoria…
    Parece que o ato de cozinhar eh consequência e não causa…

  3. Fernando disse:

    Por fim, se o ato de cozinhar fosse a explicação para o aparecimento da inteligência, então aparecimento do homem moderno deveria ter ocorrido em várias partes do planeta, aonde o homo erectus habitou.
    Indícios fósseis mostram que o homo erectus saiu da África para Oriente Médio, Ásia e Europa. Logo, o homem moderno deveria ter aparecido também nestas regiões do habitate do homo erectus, em função do ato de cozinhar.
    No entanto, nestas regiões somente apareceram “trogloditas neantertalis”que não evoluíram.
    Sabe-se também que a árvore genealógica humana (a origem do DNA mitocondrial) paira em um pequeno grupo de humanos a 200 mil anos na África Oriental. Indícios arqueológicos afirmam que dali, partiram para povoar o mundo.
    Portanto, essa afirmação que o ato de cozinhar é explicação para o advento da inteligência e do aparecimento do homo sapiens sapiens não me convence… Penso!

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