Início » Internacional » ONG denuncia mais de 100 mortes em protestos no Irã
CONTRA ALTA DO COMBUSTÍVEL

ONG denuncia mais de 100 mortes em protestos no Irã

Anistia Internacional atribui mortes à alta letalidade policial, que estaria utilizando munição real para conter manifestações

ONG denuncia mais de 100 mortes em protestos no Irã
Mais de mil pessoas foram detidas pelas forças de segurança do Irã durante os protestos (Foto: @ICHRI/Twitter)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Pelo menos 106 manifestantes morreram e mais de mil foram detidos pelas forças de segurança do Irã durante os protestos no país. A informação foi revelada pela Anistia Internacional na última terça-feira, 19.

Os protestos, que tiveram o estopim pautado no aumento do preço da gasolina no país, ganharam o país e ocorreram em mais de 100 cidades. As mortes dos manifestantes, causadas pela repressão policial, foram registradas em 21 cidades. Alguns relatórios indicam que o número de mortos pode ser ainda maior, chegando a 200 óbitos. No entanto, a informação não foi confirmada pela Anistia Internacional.

Segundo a ONG, com análise de imagens de vídeo, as forças de segurança do Irã estão usando armas de fogo, canhões de água, gás lacrimogêneos e cassetetes para dispersar os manifestantes. Cartuchos encontrados em manifestações e alto grau de letalidade indicam, segundo a Anistia Internacional, que as forças de segurança estão usando munições reais.

“As autoridades devem acabar com essa repressão brutal e mortal imediatamente e mostrar respeito pela vida humana. […] A frequência e persistência da força letal usada contra manifestantes pacíficos nesses e em protestos anteriores em massa, bem como a impunidade sistemática das forças de segurança que matam manifestantes, levantam sérios temores de que o uso letal intencional de armas de fogo para esmagar protestos se torne uma questão de política estadual”, afirmou o diretor de pesquisa e advocacia para o Oriente Médio e o norte da África na Anistia Internacional, Philip Luther.

A ONG chamou a atenção também para o caso do defensor de direitos humanos Sepideh Gholian, que foi preso no último dia 17 de novembro durante os protestos. O ativista estaria apenas segurando um cartaz contra o preço das gasolinas, não tendo integrado nenhum ato de violência durante as manifestações. O paradeiro de Gholian, no entanto, é desconhecido.

“Qualquer pessoa detida apenas por participar pacificamente em manifestações, expressando apoio ou criticando as autoridades deve ser imediata e incondicionalmente libertada. Todos os detidos devem ser protegidos contra tortura e outros maus-tratos”, solicitou Luther.

Diante disso, a Anistia Internacional pediu ao Irã para que a letalidade policial contra os manifestantes seja cessada, além de solicitar que o país respeite o direito à manifestação. A ONG exigiu que as forças de segurança não usem mais força do que o “estritamente necessário, proporcional e legal” em resposta aos possíveis protestos violentos.

Ademais, a Anistia Internacional também fez um apelo à comunidade internacional, em especial Organização das Nações Unidas e à União Europeia, para que sejam tomadas ações imediatas contra a letalidade policial do Irã. Por fim, defendeu o direito a liberdade de expressão e pediu para que o bloqueio da internet chegue ao fim no país.

“Desligar as comunicações pela Internet é um assalto sistemático ao direito à liberdade de expressão e sugere que as autoridades tenham algo a esconder. As autoridades iranianas devem suspender imediatamente todas as restrições de acesso à Internet e às mídias sociais para permitir que as pessoas compartilhem informações e expressem livremente suas opiniões”, destacou Luther.

Autoridades iranianas, por sua vez, apontaram grupos “antirrevolucionários” internacionais como os principais responsáveis pelos protestos violentos que tomaram o país. Na última quarta-feira, 20, o presidente iraniano, Hassan Rohani, celebrou uma vitória sobre as manifestações.

“O povo iraniano mais uma vez saiu vitorioso em um teste histórico e demonstrou que não deixa que os inimigos se beneficiem da situação, mesmo que possam ter queixas sobre a administração do país”, afirmou o chefe de Estado em um pronunciamento na emissora estatal Irib, segundo noticiou a emissora internacional Deutsche Welle.

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *