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A arte contemporânea de grandes dimensões

A arte contemporânea se reinventa e cresce

A arte contemporânea de grandes dimensões
O parque Storm King, em New WIndsor, abriga esculturas e instalações monumentais (Foto:Wikimedia)

A arte moderna sempre teve tendência a se expressar com formas monumentais.  Ironicamente, o minimalismo, a preferência pela simplicidade, pela forma geométrica despojada e um desprezo pelo objet d’art destinado a enfeitar consolos de lareiras de ricos colecionadores, em geral significa uma arte de grandes dimensões. Do “Monumento à Terceira Internacional” (jamais realizado), uma construção gigantesca idealizada e projetada pelo artista plástico e arquiteto Vladimir Tatlin logo depois da revolução de outubro de 1917 na Rússia, ao quadro Guernica de Pablo Picasso pintado quase 20 anos depois, os artistas, em um mundo dominado pela mídia e a produção em massa, precisam criar obras de impacto para atrair a atenção do público.

A tendência a uma arte de grandes dimensões foi mais acentuada no último trimestre do século XX, quando o Modernismo chegou à meia-idade e adotou uma postura mais conformista. A criação de obras de arte em uma escala tão monumental que quase ninguém poderia comprá-las, ou que poucas galerias poderiam exibi-las, foi uma maneira de demonstrar desprezo pelo mercado de arte que não valorizava a criatividade e, ao mesmo tempo, inflacionava os preços. As obras de arte gigantescas feitas com materiais industriais ou expostas em paisagens desérticas longínquas oferecem uma alternativa para o brilho vazio dos espaços urbanos elegantes.

É claro que uma obra de arte que ninguém pode ver atrai tanta atenção como uma árvore que cai em uma floresta sem que ninguém perceba, e poucos artistas (e ainda menos marchands) têm um purismo ideológico tão exacerbado, que lhes permita aceitar a indiferença do público diante da inacessibilidade. Nos últimos anos diversas instituições decidiram enfrentar o desafio de exibir obras de arte de proporções gigantescas inadequadas para exposições em museus e galerias de arte. Três das exposições de maior sucesso dedicadas a obras de arte modernas de grande porte podem ser vistas na região montanhosa de Berkshires, em Massachusetts, a poucas horas de distância de carro de Nova York.

Storm King, em New Windsor, Nova York, é um parque de 202 hectares com espaço para expor esculturas monumentais e instalações. Muitas das obras expostas como Mother Peace de Mark di Suvero (1969-70) e The Arch de Alexander Calder (1975), são exemplos clássicos da arte moderna do final do século XX: construções enormes de aço pintado cujas formas abstratas dominam a paisagem como heróis conquistadores. Mas o parque também mostra a transição do estilo modernista bombástico para o pós-modernismo com formas mais simples e despojadas. As instalações mais recentes feitas especificamente para o local harmonizam-se com o ambiente natural.

Enquanto a paisagem bucólica de Storm King estimula os artistas a trabalharem em harmonia com a natureza, os museus Dia:Beacon e MASS MoCA, que ocupam prédios de antigas fábricas, interagem com o passado industrial da região.

Para um artista uma obra monumental pode ser uma maneira de fortalecer e gratificar o ego. No entanto, é possível também que seja uma oportunidade para desaparecer. Algumas obras de arte de grandes dimensões são arrogantes, enquanto outras são moldadas por toques levíssimos; são obras destinadas a oprimir e, ao mesmo tempo, a serem fontes de inspiração. Porém qualquer que seja o meio ou a mensagem, não há dúvida que no campo da arte o tamanho é importante.

Fontes:
Te Economist-Gigantism

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