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O próximo grande movimento?

A arte da crise do euro

Inspirados pela crise do euro artistas expressam sua rebeldia através de obras de arte

A arte da crise do euro
A "Billion Euro House", de Frank Buckley. Casa abandonada coberta com notas de euro canceladas picadas (Reprodução/Internet)

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Movimentos artísticos em geral se originam a partir das pedras no caminho da história. O dadaísmo foi uma convulsão artística contra a abominação da primeira guerra mundial. O realismo social desabrochou a partir do cenário de terra arrasada pela Depressão dos anos 30 nos EUA. A pergunta sobre se um episódio de trauma coletivo no século XXI poderia iniciar outro conjunto artístico é importante. A atual crise do euro é uma forte competidora. Conforme a disposição das pessoas se tornou mais pessimista e os governos cortaram orçamentos para as artes, os artistas começara a responder.

“Entropa”, uma das primeiras obras de arte importantes a flertar com os temas da crise do euro, foi realizada em 2009 e tem um histórico adequadamente irônico. A República Tcheca encomendou a um artista nacional, David Cerny, para produzir uma obra de arte para celebrar a passagem do país pela presidência do país do Conselho da União Europeia. A indicação de Cerny, talentosa, mas inclinado ao exibicionismo, provou-se fatal. Ele criou um mapa satírico que retratava a incompatibilidade dos países da UE e o mal estar econômico da região. A escultura mostra uma Grécia em chamas e a Espanha como uma área de construção deserta. Os eurocratas ficaram horrorizados com a obra rebelde de Cerny. O público, por outro lado, ficou maravilhado.

Outros artistas estão trabalhando com o mesmo espírito rebelde. A “Billion Euro House” (casa de um bilhão de euros) de Frank Buckley, uma casa abandonada coberta com notas de euro canceladas, picadas, instalada em Dublin, vem atraindo turistas desde janeiro. Buckley ficou desempregado e sem dinheiro para pagar a hipoteca após a crise irlandesa, de modo que o ato de picotar notas invalidadas se tornou terapia. O artista afirma ter desejado criar um altar para a moeda única “falida”.

A arte feita em resposta às aflições da zona do euro é estilisticamente diversa, ainda que tenha um tema comum. A sabotagem de símbolos europeus é popular, assim como o é a subversão do mapa da Europa para enfatizar divisões intransponíveis entre os países. Imagens do euro são geralmente reduzidas a emblemas de fracasso, dívida e destruição.

Ainda não se sabe se a arte da crise do euro se trata de uma arte passageira. No entanto, diante da ausência de solução para os problemas da moeda única, a região continuará a dedicar uma grande quantidade de matérias primas a artistas politizados por algum tempo.

 

Fontes:
The Economist-The next big movement?

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