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Prisões nos EUA

A atuação das gangues no sistema carcerário americano

Esses grupos oferecem proteção a outros prisioneiros e movimentam os atraentes mercados ilícitos das prisões, sobretudo o das drogas

A atuação das gangues no sistema carcerário americano
Para David Skarbek as as gangues oferecem proteção e organização em lugares onde as instituições estabelecidas falharam (Reprodução/The Economist)

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Em “The Social Order of the Underworld” David Skarbek, economista político americano do King’s College, Londres, mostra como gangues se espalharam pelo sistema carcerário nos EUA. Ele argumenta convincentemente que as gangues oferecem proteção e organização em lugares onde as instituições estabelecidas falharam, por isso, faz sentido para os prisioneiros se vincularem a elas.

As gangues não existiam até a década de 1950. As prisões eram governadas de acordo com um “código do detento”, regras tácitas obedecidas por todos. Em seu nível mais básico o código decretava que os detentos não deveriam ajudar os agentes carcerários em questões de disciplina, assim como também não deveriam dar nenhuma informação a eles. Isso funcionava em uma época em que a população carcerária era pequena. Reputações negativas e o medo de boatos, ostracismo e ataques controlavam a maior parte dos comportamentos disruptivos. Não havia necessidade de grupos organizados.

Mas quando a população carcerária aumentou muito, o código começou a falhar. Não era mais possível criar reputações entre números tão enormes. Detentos novos, que desconheciam os códigos e regras, se tornaram mais comuns. As gangues surgiram para fornecer proteção. Skarbek estuda como elas em seguida se tornaram negócios, controlando os atraentes mercados ilícitos das prisões, especialmente o de drogas. Gangues podem fazer negócios com muito mais eficiência que detentos solitários.

A análise de Skarbek confronta a ideia de que as prisões estão cheias de brutamontes violentos e racistas que agem irracionalmente. A lógica por trás da existência das gangues pode oferecer a solução para controlá-las. Reduzir a demanda por seus serviços, ele argumenta, encarcerando menos pessoas e tornando as prisões mais seguras faria com que o apelo das gangues diminuísse.

 

 

Fontes:
The Economist-Protection rackets

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