Início » Internacional » A captura do ‘Steve Jobs da cocaína’
Poderoso chefão

A captura do ‘Steve Jobs da cocaína’

Prisão do traficante mexicano Joaquín 'El Chapo' Guzmán, um dos mais procurados do mundo, é motivo de comemoração mundial, mas não deve ser encarada como o fim de seu poderoso cartel

A captura do ‘Steve Jobs da cocaína’
Foto da captura de Guzmán divulgada por autoridades mexicanas (Divulgação)

A captura de um dos traficantes mais procurados do mundo, Joaquín “El Chapo” (baixinho) Guzmán, confirmada por autoridades americanas no último sábado, 22, é motivo de comemoração no México, Estados Unidos e outras partes do mundo por onde o seu império do crime se estende. A prisão de Guzmán derruba o mito de invencibilidade em torno do traficante que fugiu de uma prisão de segurança máxima no México dentro de um carrinho de roupas sujas, em 2001, e passou a lutar uma guerra feroz pelo controle de um comércio de drogas que lhe rendeu bilhões, a estatura criminosa de um Osama bin Laden e a fama empresarial de um Steve Jobs.

Guzmán chefiava o cartel Sinaloa, considerado a organização mais eficiente do mundo do tráfico. A foto da sua

Foto da captura do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein (Reprodução/Wikipédia)

captura que as forças de segurança mexicanas divulgaram neste fim de semana lembra a imagem do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein que soldados divulgaram também ao fim de uma longa caçada humana naquele país.  Não é um paralelo reconfortante.

A captura do traficante mexicano não representa o fim da violência relacionada às drogas ou do violento cartel que ele comandava. Guzmán era tido como um alvo prioritário há tantos anos — certamente desde 2001–, em grande parte porque ele se mostrou muito bom no gerenciamento de sua organização criminosa.  Ele dedicou sua vida a transformar o cartel de Sinaloa no negócio mais eficiente do mundo das drogas, com um faturamento anual estimado em cerca de US$ 3 bilhões apenas com a exportação de drogas para os EUA. Os lucros do cartel são comparáveis aos ganhos das grandes empresas de tecnologia ocidentais, como Netfix e Facebook, e rendeu a Guzmán comparações com CEOs considerados mestres na arte da gestão da cadeia de abastecimento. Ele soube explorar a enorme demanda por drogas ilegais nos Estados Unidos e na Europa e se transformou no maior exemplo do poder da globalização do mercado negro.

É precisamente este nível de sofisticação que faz especialistas acreditarem que  o cartel Sinaloa irá sobreviver à  detenção de seu mentor. Se Guzman é o Steve Jobs da cocaína, ele provavelmente preparou um Tim Cook para tomar seu lugar.

 

 

Fontes:
The Economist - Got Shorty
The New York Times - Cocaine Incorporated
Quartz - Will the capture of the world’s most powerful drug trafficker change anything?

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *