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MORALISMO

A censura exagerada no Quênia

Órgão responsável pela censura aos filmes no Quênia assume uma dimensão política perigosa

A censura exagerada no Quênia
iniciativas radicais de censura divertiram a imprensa queniana e transformaram Mutua em um personagem de projeção nacional (Foto: YouTube)

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Qual é o papel desempenhado por um conselho de censura e classificação de filmes? No Quênia sua função tem uma grande abrangência. Além da censura de filmes, Ezekiel Mutua, executivo-chefe do Conselho de Filmes e Classificação do Quênia (CFCQ), prometeu invadir clubes de strip-tease para evitar uma onda de “bestialidade” no país. Mutua tem raiva dos homossexuais e ameaçou criar regras para a exibição de conteúdo da Netflix por ser um possível perigo à segurança nacional. Essas iniciativas radicais de censura à moralidade duvidosa divertiram a imprensa queniana e transformaram Mutua em um personagem de projeção nacional. Mas alguns quenianos temem que seja um indício do crescente uso da censura no ambiente tenso das eleições gerais em 2017.

O CFCQ foi criado em 1963 com uma visão moralista. Em 2014, proibiu a distribuição do filme O lobo de Wall Street por causa das “cenas extremas de nudez”. Sob a direção de Mutua, que assumiu o cargo de CEO no ano passado, o conselho ficou muito mais ativo. Em março, ele disse que alguns estrangeiros estavam organizando uma festa envolvendo sexo e drogas chamada “Project X” em Nairóbi, que seria filmada e vendida como um filme pornográfico. No mês de julho, Mutua acusou uma boate de promover encontros amorosos imorais entre jovens solteiros, com o argumento que eram “orgias de lésbicas”. Em 17 de outubro, disse que algumas mulheres recebiam uma quantia insignificante para fazer sexo com cachorros.

É questionável se essas acusações têm fundamento, ou se o CFCQ tem autoridade para fazer ameaças baseadas nesses supostos julgamentos morais. No entanto, foram divulgadas pela imprensa queniana, com o consequente apoio dos conservadores do país à atuação de Mutua.

Mas ao longo do tempo, o guardião da moral e dos valores tradicionais da sociedade, pode ir além da vigilância dos bons costumes segundo seus princípios. Mutua tem inúmeros admiradores no governo, disse Patrick Gathara, um cartunista queniano. Um projeto de lei em trâmite no Congresso destinado a ampliar a atuação do Conselho de Filmes e Classificação do Quênia, lhe daria mais poder para regulamentar anúncios publicitários e eventos ao vivo, como peças de teatro. Algumas dessas atribuições poderiam envolver a censura política. “Até o momento sua atuação limitou-se à esfera do poder regimental”, disse Gathara. A próxima etapa seria o uso do conselho para sufocar a crítica à política do país.

Fontes:
The Economist-X-rated everything

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