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RENÚNCIAS DE MINISTROS

A complicada situação política do Reino Unido

À medida que seguem as negociações do Brexit, Theresa May perde apoio de nomes importantes de seu governo

A complicada situação política do Reino Unido
Processo do Brexit será iniciado em março de 2019 (Foto: Wikimedia)

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, parece ter um caminho ainda mais difícil pela frente. Isso porque, a medida que seguem as negociações do Brexit, May perde apoio de nomes importantes de seu governo.

Na noite do último domingo, 8, o ministro responsável pelas negociações do Brexit, David Davis, pediu demissão do cargo. Horas depois, foi a vez de Steve Baker, sub-secretário para o Brexit, entregar o seu cargo.

Já nesta segunda-feira, 9, o ministro de Relações Exteriores, Boris Johnson, ex-prefeito de Londres e um dos principais apoiadores do Brexit, entregou uma carta de renúncia à primeira-ministra. Segundo Johnson, as negociações da saída do Reino Unido da União Europeia estão destruindo as oportunidades do Brexit, que seria em torno da “oportunidade e esperança”. “Esse sonho está morrendo”, disse Johnson na carta.

As renúncias dos ministros teriam sido motivadas por um acordo divulgado na última sexta-feira, 6, sobre a saída do Reino Unido do bloco econômico. O plano seria “favorável aos negócios”, com a criação de uma zona de comércio livre com a União Europeia. Agora, porém, esse pacto parece incerto.

No entanto, apesar de ter sido aprovado pela base do governo, o acordo parece não ter sido bem visto por todos. Os mais críticos o consideram suave demais. Algumas pessoas acreditam que mais demissões devem ocorrer, o que pode deixar a política internacional do Reino Unido ainda mais instável.

“Na sexta-feira, reconheci que o meu lado do argumento era muito pouco para prevalecer e parabenizei você [Theresa May] pelo menos por chegar a uma decisão do gabinete sobre o caminho a seguir. Como eu disse então, o governo, agora, tem uma música para cantar. O problema é que eu pratiquei as palavras no fim de semana e descobri que elas ficam na garganta. Nós devemos ter responsabilidade coletiva. Como não posso, em consciência, defender essas propostas, concluí, com tristeza, que devo ir”, escreveu Boris Johnson em sua carta de renúncia.

Com a saída dos importantes nomes do governo, os opositores de Theresa May já começaram a criticar a primeira-ministra e demonstrar preocupações com o prosseguimento das negociações pelo Brexit.

Por outro lado, os empresários se posicionaram favoráveis ao acordo da última sexta-feira. “Estamos todos fartos do Brexit e os líderes empresariais pedem ao governo que se una a esta última proposta e garanta um acordo com a UE rapidamente. Não é perfeito, mas é um compromisso razoável… vamos seguir em frente em prol dos negócios, da economia, dos empregos e da sanidade da nação”, afirmou Patrick Dardis, administrador da cadeia de bares Young’s, ao Evening Standard.

O Reino Unido vai deixar a União Europeia no dia 29 de março de 2019. Até lá, o governo britânico e o bloco econômico esperam ter firmado um acordo de negociação. A saída do Reino Unido será concluída até o fim de 2020, com o novo pacto firmado sendo aplicado para beneficiar a relação de forma bilateral.

União Europeia

Se o momento político do Reino Unido é delicado, a União Europeia continua observando as movimentações com esperança. Através das redes sociais, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, mostrou confiança de que a situação bilateral possa melhorar com a saída dos ministros britânicos.

“Os políticos vão e vêm, mas os problemas que criaram para o povo permanecem. Só lamento que a ideia do Brexit não vá com Davis e Johnson. Porém… quem sabe?”, questionou Tusk através do Twitter.

Relação com a Rússia

Como se a situação do Reino Unido com o Brexit já não fosse complicada o bastante, o país ainda enfrenta uma instabilidade diplomática com a Rússia. Desde março, quando o ex-espião russo Sergei Skripal foi atacado com o agente nervoso Novichok no Reino Unido, a situação entre as nações ficou delicada, resultando em expulsão de diplomatas de ambos os lados.

Com a recuperação de Skripal e sua filha, Yulia, os ânimos pareciam ter se acalmado. O governo da Rússia chegou a convidar os britânicos para irem ao país acompanhar a Copa do Mundo – a Inglaterra está nas semifinais do torneio internacional.

Na última semana, porém, após um novo caso de envenenamento pelo agente nervoso de um casal no Reino Unido, a situação pode ter ficado delicada mais uma vez. No último domingo, a mulher, Dawn Sturgess, de 44 anos, morreu. Enquanto isso, Charlie Rowleu, de 45 anos, segue em estado grave.

Fontes:
The Guardian-Theresa May would fight any no-confidence vote, says No 10 – politics live
CNN-Boris Johnson resigns in major Brexit blow to UK PM Theresa May

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1 Opinião

  1. André Vinícius Vieites disse:

    Agora sempre aparece um baita serviço para largar o fervor da forma e destacar o conteúdo; Essa dinâmica explicaria a eleição do presidente Trump nos EUA, a saída do Reino Unido da União Europeia ou a eleição do presidente Macron na França. Apesar de contexto bom no Brasil só vai piorando, em 2018 ou em 2019 será mais ou menos a mesma coisa, só trocarão as moscas.

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