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FALTA DE CONSENSO

A confusa política dos EUA para a Síria

Donald Trump não consegue entrar em consenso com sua equipe de governo sobre os objetivos dos EUA na Síria

A confusa política dos EUA para a Síria
Elaborar uma política coerente para o conflito sírio tem sido uma tarefa difícil para os EUA (Foto: Flickr/White House)

O ataque químico a Douma perpetrado, ao que tudo indica, pelas forças do regime de Bashar al-Assad, foi duramente condenado por vários países e recebeu dos EUA a promessa de um ataque em represália.

No entanto, para os EUA, punir Assad será uma tarefa muito mais simples que elaborar uma política coerente para a Síria. A gestão do presidente Donald Trump tem enviado mensagens confusas em relação aos objetivos dos EUA no conflito e ameaçando minar os interesses do país e de seus aliados na região.

Em 29 de março, em um discurso supostamente sobre infraestrutura, Trump declarou que os EUA estavam exterminando o Estado Islâmico (Isis) na Síria e que deixariam o país muito em breve. Porém, quase ao mesmo tempo, o general Joseph Votel, comandante da coalizão americana na Síria, e o general Brett McGurk, enviado do Departamento de Estado dos EUA contra o Isis no país, anunciavam algo diferente. Segundo eles, embora os jihadistas tenham sido expulsos da maior parte das regiões que controlavam na Síria, ainda havia “bolsões” a serem esvaziados. Na avaliação do general Votel, esta seria a parte mais difícil. “As tarefas adiante serão consolidação, estabilização e reconstrução”, disse o general. As primeiras duas tarefas por ele citadas exigem uma contínua presença militar.

Em janeiro deste ano, o então Secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, fez um discurso sobre os objetivos americanos na Síria. As tropas americanas permaneceriam no país por um tempo para impedir o retorno dos jihadistas ou a entrada de forças iranianas nas áreas recém-liberadas. Tillerson apresentou cinco objetivos: prevenir o Isis e a Al Qaeda de tornar a emergir na Síria, apoiar o processo de paz na Síria promovido pela coalizão, coibir a influência do Irã, ajudar na repatriação dos refugiados sírios e limpar o país das armas de destruição em massa.

Os objetivos listados por Tillerson estão bem distantes da intenção de Trump na Síria, que é destruir rapidamente o Isis e sair do país. Além disso, embora Tillerson tenha sido elogiado por especialistas em política externa, também foi alvo de ceticismo dos mesmos, que consideraram os objetivos admiráveis, porém muito distantes da realidade.

Os aliados dos EUA na região, em especial, Israel e Arábia Saudita, querem não apenas a presença militar contínua na Síria, mas também o aumento no número de tropas no país. O atual Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, e o novo Conselheiro de Segurança Nacional do país, John Bolton, querem o confronto com o Irã para impedir que o país ganhe espaço na Síria. O Secretário de Defesa, James Mattis, quer concluir a missão iniciada pelas tropas americanas no país. Enquanto isso, Trump segue sua tendência de ouvir o que seu instinto diz sobre as intenções de sua base política.

Fontes:
The Economist-Donald Trump and his advisers cannot agree on a Syria policy

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1 Opinião

  1. Carlos disse:

    Quem faz a guerra na Síria são os corruptos do Pentágono sob a ordens do Deep State. Não obedecem a Trump, inclusive ele quer retirar de lá as suas tropas e os corruptos Pentágono enviam mais.
    Só a Inteligência Militar do QAnon poderá conseguir repor a legalidade de Trump.

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