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PERSEGUIÇÃO

A crescente repressão da China contra uigures muçulmanos

Nos últimos meses o governo chinês intensificou a repressão à identidade islâmica e às práticas religiosas dos uigures, etnia do país que vive na província de Xinjiang

A crescente repressão da China contra uigures muçulmanos
A violência contra os uigures é estimulada pelo jihadismo mundial (Foto: Creative Commons)

As autoridades chinesas descrevem a região de Xinjiang, a noroeste da China, como a “área principal” do extenso território da iniciativa “Um Cinturão, uma Rota” para expandir os vínculos econômicos com a Ásia Central e outras regiões da Ásia. O governo central espera que a prosperidade gerada por essa nova Rota da Seda cesse a violência do movimento separatista em Xinjiang, que, segundo a China, é estimulado pelo jihadismo mundial e por militantes uigures muçulmanos.

Os 10 milhões de uigures, que constituem quase metade da população de Xinjiang, têm sido alvo de constantes perseguições à sua crença religiosa. Entre outras medidas de repressão, os uigures não podem fazer peregrinações a Meca sem autorização, os estudantes são proibidos de jejuar durante o Ramadã, o vestuário das mulheres sofre enormes restrições e os jovens com menos de 18 anos são proibidos de frequentar algumas mesquitas.

Mas desde que assumiu em agosto do ano passado o cargo de líder do Partido Comunista em Xinjiang, Chen Quanguo criou medidas ainda mais rigorosas inspiradas em sua experiência como líder do Partido Comunista no Tibet, onde eliminou o movimento dissidente.

Nos últimos meses o governo intensificou a repressão à identidade islâmica e às práticas religiosas dos uigures. No mês passado, as novas regras proibiram o uso de barbas não condizentes com as normas sociais e os pais foram proibidos de dar nomes aos filhos que estimulassem o fervor religioso, como Mohammed (do profeta Maomé) e Saddam, “aquele que confronta”, em árabe. Segundo as novas regras, as crianças com nomes proibidos perderiam o direito à educação e aos cuidados com a saúde gratuitos.

Os uigures foram acusados de cometer diversos ataques recentes em Xinjiang. Em fevereiro, na província de Hotan, três homens armados com facas mataram cinco pessoas e feriram outras antes de serem mortos pela polícia. De acordo com relatórios locais, a violência ocorreu depois que uma família uigur foi punida por realizar uma cerimônia religiosa em casa. Mas esses conflitos recentes são um reflexo de uma longa história de hostilidade entre os uigures e o governo da China e de discriminação dos chineses da etnia dominante han na região.

Fontes:
The Economist-The extraordinary ways in which China humiliates Muslims

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2 Opiniões

  1. Lucinda Telles disse:

    A cultura antes de ser uma identidade, é uma invenção humana. Não faz sentido as pessoas inventarem ou seguirem algo que lhes trás dificuldades. Vale o antigo provérbio:
    “When in Rome, do as the Romans do”

  2. Natanael Ferraz disse:

    Na China faça como os chineses, seja budista.

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