Início » Internacional » A crise ministerial do governo peruano
PERU

A crise ministerial do governo peruano

O presidente do Peru enfrenta sua pior crise ministerial com a renúncia de cinco ministros, entre eles o primeiro-ministro

A crise ministerial do governo peruano
Pedro Pablo Kuczynski é um pragmático com uma visão liberal (Fonte: Reprodução/Reuters)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Pedro Pablo Kuczynski assumiu a presidência do Peru há pouco mais de um ano, mas durante esse curto mandato diversos ministros renunciaram aos cargos por pressão do partido de oposição Fuerza Popular. A pior crise ocorreu no dia 15 de setembro, quando o governo perdeu o voto de confiança no Congresso. Isso causou a renúncia do primeiro-ministro, Fernando Zavala, que acumulava a função de ministro da Economia, além de mais quatro ministros.

A fonte dos problemas de Kuczynski é a sua vitória com uma pequena margem de votos nas eleições presidenciais do ano passado, em que concorreu com Keiko Fujimori, filha de um ex-presidente, Alberto Fujimori, que está preso por crimes contra os direitos humanos. Mas o partido de Fujimori, Fuerza Popular, tem 71 dos 130 assentos no Congresso e tem feito o possível para dificultar a vida de Kuczynski.

A disputa é em parte ideológica. Kuczynski, um ex-banqueiro de investimento e funcionário do Banco Mundial, é um pragmático com uma visão liberal, e seus principais objetivos são o aumento da inserção de trabalhadores no mercado formal de trabalho, a melhoria dos serviços públicos e de infraestrutura, e o incentivo ao crescimento econômico. Fujimori tem o apoio dos católicos conservadores e dos evangélicos. Seu partido alega que o governo é pró-aborto, aberto ao diálogo com os homossexuais e negligente em relação à população da região rural.

A crise ministerial enfraqueceu a autoridade de Kuczynski. Segundo dados de uma pesquisa recente, só 22% dos peruanos o apoiam, uma redução de 41% desde que assumiu o cargo. No entanto, a nomeação da primeira-ministra, Mercedes Aráoz, foi bem recebida pela maioria dos partidos da oposição, inclusive a Fuerza Popular, assim como os novos ministros da Saúde e Educação, mais conservadores do que seus predecessores.

A economia também pode fortalecer o presidente. O PIB cresceu 2,4% até o final de junho. O governo prevê um crescimento de 4% no próximo ano, graças em parte ao preço mais elevado do cobre no mercado mundial, o principal produto de exportação do Peru. O governo tem planos de aumentar em 10% as despesas em 2018, sem elevar os impostos. Essa política econômica está agradando os eleitores. “O crescimento da economia mundial está beneficiando a economia peruana”, disse Kuczynski em sua primeira reunião com o novo gabinete em 18 de setembro.

Fontes:
The Economist - Ministerial massacre: Peru loses its prime minister. What next?

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *