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O papa peronista

A delicada missão diplomática do Papa Francisco em sua visita à América Latina

Em sua primeira viagem oficial à América latina, o Papa Francisco utiliza de sua crescente popularidade para mediar questões políticas dos países visitados

A delicada missão diplomática do Papa Francisco em sua visita à América Latina
Primeira papa latino-americano luta por uma "igreja pobre, para os pobres" (Foto: Wikimedia)

Se a expressão pode ser aplicada a um pontífice de 78 anos que fez da não ostentação uma arte, então o Papa Francisco é um astro do rock. Ou pelo menos foi assim que os milhares de fiéis que assistiram as missas ao ar livre no Equador, Bolívia e Paraguai o receberam no início do mês de julho. A viagem de oito dias, a mais longa ao estrangeiro do seu papado até o momento, e a primeira à América hispânica, não só mostrou a imensa popularidade de Jorge Mario Bergoglio, o primeiro papa latino-americano, em sua região natal. A visita poderá também conferir uma definição política ao seu papado.

Os três países visitados pelo Papa Francisco – Paraguai, Equador e Bolívia –  são relativamente pequenos e pobres, e com uma grande população de ameríndios. Esses países foram escolhidos com extremo cuidado. O papa Francisco iniciou seu sacerdócio como padre jesuíta na Argentina, e essa experiência ensinou-o a valorizar o trabalho pastoral com pessoas que permanecem à margem da sociedade, a respeitar a religiosidade popular e a lutar por uma “Igreja pobre, para os pobres”.

Suas palavras entusiasmam os defensores da Teologia da Libertação, uma doutrina de tendência esquerdista, que exerceu grande influência na América Latina nas décadas de 1970 e 1980. O pontífice apressou o processo de beatificação, realizada em maio, de Óscar Romero, o arcebispo de San Salvador assassinado em 1980 a tiros por um esquadrão da morte de direita, enquanto celebrava uma missa. Com frequência, o arcebispo denunciava a repressão em seu país e a pobreza, e converteu-se em um herói dos militantes de esquerda.

No entanto, o padre Bergoglio sempre rejeitou o marxismo e as revoluções violentas, que alguns padres de esquerda apoiavam. Em vez de seguir as ideias da Teologia da Libertação, preferiu reinterpretá-las em um contexto pós-marxista. A opção de Romero de “defender os pobres não era ideológica, mas sim evangélica”, disse o Vaticano. A crítica do papa ao capitalismo de livre mercado tem pontos em comum com a doutrina social tradicional do catolicismo e com o peronismo, um movimento político de caráter populista e nacionalista da Argentina, com o qual o papa conviveu no passado.

Dois dos anfitriões do papa, o presidente do Equador, Rafael Correa, e da Bolívia Evo Morales, são esquerdistas radicais e aliados do regime autoritário da Venezuela. O principal teste de habilidade política do pontífice será o de ajudar a Venezuela a fazer uma transição democrática e pacífica neste ano de eleições parlamentares, nas quais o governo impopular de Nicolás Maduro enfrenta uma provável derrota. Mas, é claro, isso só será viável se as eleições forem livres e justas.

“Longe do público, o papa tem feito o possível a fim evitar um confronto na Venezuela”, disse Jimmy Burns, autor de uma biografia do Papa Francisco a ser lançada em breve. Com certeza, os esforços para viabilizar uma transição política pacífica no país, incluíram a pressão sacerdotal exercida nos aliados de Maduro, os presidentes Correa e Morales, durante sua visita.

Fontes:
Economist-The Peronist pope

2 Opiniões

  1. Vitafer disse:

    Não diga, ney! E qual a instituição no mundo que só teve líderes louváveis?

  2. ney disse:

    Tenho medo do lobo com pele de ovelha.
    O Passado dos pontífices não é louvável.

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