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POLÍTICA

A desaceleração da extrema-direita na Europa

Acontecimentos políticos recentes indicam uma queda na popularidade de partidos de extrema-direita na Europa

A desaceleração da extrema-direita na Europa
Os discursos xenófobos dos populistas já não atraem mais tantos seguidores (Foto: Pixabay)

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A queda no apoio ao Partido Nacionalista Liberdade (FPÖ) nas eleições da Áustria no fim de setembro é um sinal que os partidos de extrema-direita estão perdendo sua força entre os eleitores europeus.

O Partido Popular Austríaco (ÖVP), do conservador Sebastian Kurz, obteve 37,1% dos votos, o melhor resultado desde 2002. O apoio ao FPO, por sua vez, teve uma redução de 16,1%, 10% a menos do que na eleição anterior.

Após a exibição de um vídeo em que o líder do FPO, Heinz-Christian Strache, oferecia contratos de obras públicas a uma suposta sobrinha de um oligarca russo em troca do apoio dela à sua campanha, o partido perdeu grande parte de sua popularidade. Mas a perda de votos também foi um reflexo da resistência política ou institucional ao avanço dos partidos de extrema-direita, nacionalistas e populistas na Europa. 

Na Itália, o ex-ministro do Interior Matteo Salvini, do partido de extrema-direita Liga, saiu da cena política depois de uma estratégia fracassada para obter mais poder.

Em vez da radicalização da extrema-direita na Itália, como Salvini queria, a legenda antissistema Movimento 5 Estrelas rompeu a aliança com a Liga e formou uma coalizão com o partido Democrático de centro-esquerda.

Nas eleições do mês de setembro na Saxônia e em Brandemburgo, dois estados importantes da Alemanha, o partido anti-imigração de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), apesar da conquista de mais eleitores, não teve o desempenho previsto nas pesquisas de intenção de votos. 

Na França, o prestígio político do presidente Emmanuel Macron ficou seriamente abalado no início deste ano devido aos violentos protestos dos coletes amarelos e ao avanço do partido de extrema-direita Rassemblement National, de Marine Le Pen. Mas agora o índice de aprovação de Macron é o mais alto desde julho de 2018. Por outro lado, em maio, nas eleições para o Parlamento Europeu, Le Pen obteve uma cadeira com um número pequeno de votos, inferior ao resultado em 2014, o que enfraqueceu seu partido.

Na Espanha, o partido de ultradireita Vox caiu nas pesquisas de intenção de votos, apesar do fracasso do primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez em formar um governo. O apoio ao partido de extrema-direita Fórum para a Democracia (FvD) de Thierry Baudet, na Holanda, teve uma queda de popularidade, como resultado de discussões internas e divergência de opiniões.    

O movimento populista de extrema-direita cresce na Polônia e na Hungria. Mas em outros países da Europa central, como na República Tcheca, milhões de manifestantes pedem a renúncia do primeiro-ministro, Andrej Babiš, acusado de fraudar fundos da União Europeia. Os protestos no país são os maiores desde a queda do comunismo na antiga Tchecoslováquia, em 1989. E o novo presidente da Eslováquia é um liberal progressista.

As causas da ascensão do populismo de extrema-direita, como desigualdade social, austeridade econômica, crise migratória, globalização e informatização são de difícil solução. Mas no cenário político fragmentado da Europa, os discursos xenófobos dos populistas já não atraem mais tantos seguidores. 

Fontes:
The Guardian-Austrian elections offer latest sign far right's rise is faltering in Europe

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