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A deterioração do transporte público britânico

Apesar da retórica do governo de construir novas estradas, ferrovias e aeroportos, a situação da infraestrutura de transportes na Grã-Bretanha está se agravando

A deterioração do transporte público britânico
Um quarto dos trens que chegam a Londres na hora do rush está superlotado (Foto: Pixabay)

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Nos últimos anos a infraestrutura de transportes britânica tem se deteriorado. As estradas estão cada vez mais congestionadas: a pontualidade das viagens feitas nas principais estradas diminuiu 6% desde 2010. Os trens estão com um número excessivo de passageiros; um quarto dos trens que chegam a Londres na hora do rush está superlotado, com mais de um quinto do número de pessoas do que em 2010. Os passageiros estão se locomovendo em carruagens que rangem de tão antigas. De 2005 a 2015, a idade média dos veículos de transporte público aumentou de 15 para 20 anos. O número de ônibus locais diminuiu 2,5% desde 2010, apesar do crescimento populacional de  3%.

Na classificação do Fórum Econômico Mundial a qualidade da infraestrutura de transportes da Grã-Bretanha está em 24º lugar no ranking mundial, bem acima do 19º lugar em 2006, e atrás da Islândia e dos Estados Unidos, que estão na 13ª posição. É pouco provável que haja mudanças em breve. Quando o governo de coalizão assumiu o poder em 2010, a Grã-Bretanha já era um dos países com menos investimentos na infraestrutura de transportes na Europa. E com a tentativa do chanceler do Tesouro George Osborne de equilibrar as contas públicas, o investimento no setor público deverá diminuir de 3,2% do PIB em 2010 para apenas 1,4% em 2020.

Um pequeno orçamento destinado à infraestrutura de transportes não necessariamente é um fator negativo, quando administrado com bom senso e objetividade. Com frequência isso significa investir em projetos sem grande visibilidade, como a modernização dos sinais de trânsito entre outros serviços, em vez de empreendimentos grandes e caros. Em 2006, o empresário australiano Sir Rod Eddington publicou um estudo, a pedido do governo, sobre o fornecimento de infraestrutura de transportes no Reino Unido, alertando que muitas vezes a relação entre custo e benefício dos grands projets é pior do que o investimento em projetos de transporte com menos impacto popular e na mídia. Os políticos gostam de ser fotografados em grandes obras, porém os retornos desses projetos são difíceis de prever.

A infraestrutura precária já está afetando a produtividade e os salários. Sem uma mudança de direção, as consequências poderão ser ainda mais graves.

Fontes:
The Economist-Life in the slow lane

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1 Opinião

  1. Markut disse:

    Se este descompasso já atingiu tambem os paises mais desenvolvidos e organizados, imagine-se a desordem gestora, nos outros.
    A ameaça de um Trump, populista, poder alcançar a presidência da maior potência do globo, mostra a grave crise de lideranças que há ,com visão competente, para enfrentar o desafio que o crescimento e a velocidade gigantesca da tecnologia representa,no contexto global.

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