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A difícil arte de traduzir termos tecnológicos

Traduzir o jargão da tecnologia para línguas remotas gera alguns desafios peculiares

A difícil arte de traduzir termos tecnológicos
O Bambara, falado no Mali, é uma das dezenas de línguas para as quais voluntários chamados de "localizadores" estão traduzindo o sistema operacional do Mozilla (Reprodução/The Economist)

Mozilla, a plataforma por trás do Firefox, um navegador de código aberto, quer que seus produtos e dispositivos falem a língua de todos os seus clientes. Smartphones com o seu sistema operacional já estão à venda em 24 países, incluindo Bangladesh, Índia, Indonésia e México por preços baixos de até US$ 33. A empresa pretende vender em mais países e está fechando novos negócios com fabricantes de celulares. O Bambara, falado no Mali, é uma das dezenas de línguas para as quais voluntários chamados de “localizadores” estão traduzindo o sistema operacional do Mozilla.

A empresa contratou 230 equipes de localizadores, diz Jeff Beatty, que coordena algumas de seu escritório em Utah. O trabalho de tradução leva tempo e engenhosidade. A versão do Firefox para computadores usa cerca de 40 mil palavras e o sistema operacional para celulares, 16 mil. Os tradutores têm de expressar termos tecnológicos em idiomas muitas vezes moldados pela criação de gado, agricultura e pesca e escolher boas alternativas para palavras específicas do setor da tecnologia, como “cookie”, “arquivo” e “mouse” .

Ibrahima Sarr, um programador senegalês, liderou a tradução do Firefox para o fula, idioma falado por 20 milhões de pessoas do Senegal à Nigéria. “Travamento” (ou falha de sistema) transformou-se em hookii (uma vaca que cai, mas não morre); “Interrupção do serviço” transformou-se em honaama (o seu peixe escapou do anzol). “Formato de imagem” tornou-se jeendondiral (uma repreensão dada pelos mais velhos quando uma rede de pesca é tecida de forma errada). No idioma chichewa do Malawi, que tem cerca de 10 milhões de falantes, “páginas em cache” foi traduzido para mfutso tsamba wa, ou pedaços de restos de comida. As casas sem janelas dos 440 mil falantes de zapoteca, uma família de línguas indígenas do México, transformou “janelas” de navegadores em “olhos”.

Há quase 7 mil línguas faladas no mundo. Mali, com uma população de 15 milhões, tem 13 línguas nacionais e  de 40 a 60 menores, dependendo de onde a fronteira entre língua e dialeto é desenhada. O Firefox já está disponível em 90 idiomas, cobrindo quase toda a porcentagem da população mundial – 40% – que já está online. O mais recente sistema operacional para computadores da Apple oferece 33 idiomas e o novo iPhone, 35. O Google oferece 150, incluindo dialetos. Mas algumas línguas faladas por milhões de pessoas são excluídas, entre as quais o tibetano. Trazer o resto do mundo para a internet não é apenas um desafio técnico, mas linguístico também.

 

Fontes:
The Economist-Cookies, caches and cows

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