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SELEÇÃO FRANCESA

A diversidade vence a Copa do Mundo

Vitoriosa no mundial, a seleção francesa chamou atenção pela quantidade de jogadores com raízes em outros países

A diversidade vence a Copa do Mundo
Ao todo, 17 países contam com ‘representantes’ na seleção francesa (Foto: Fifa)

A França conquistou a Copa do Mundo de 2018 no último domingo, 15. Os franceses, em festa, celebram ainda nesta segunda-feira, 16. No entanto, o que chamou a atenção na seleção francesa, além do bom futebol, foi a quantidade de jogadores com raízes em outros países.

A seleção francesa é formada por jogadores descendentes de países como Espanha, Mali, Filipinas, Senegal, Itália, Mauritânia, Argélia, Haiti, República Democrática do Congo, Guiné, Angola, Togo, Haiti, Camarões, Guadalupe e Martinica – além da França. No entanto, a maior parte desses jogadores nasceu e cresceu na França, com apenas dois tendo imigrado depois do nascimento.

Ao todo, 17 países – entre eles territórios ultramarinos franceses – contam com “representantes” na atual campeã do mundo. São atletas que nasceram em outros países ou são filhos de pessoas que migraram para a França.

O capitão da seleção francesa, Hugo Lloris, por exemplo, tem origem espanhola, mas nasceu e foi criado em Nice, na França. Outros companheiros de equipe, Kanté e Pogba, são filhos de imigrantes, do Mali e da Guiné, respectivamente, mas cresceram em território francês e conquistaram a cidadania. Outro grande nome da seleção francesa, Mbappé é filho de pai camaronês e mãe argelina.

Já o goleiro Steve Mandanda nasceu no Congo. Samuel Umtiti foi outro que nasceu fora da França, em Camarões, chegando a defender a seleção camaronesa na categoria sub-17. O zagueiro Presnel Kimpembe é filho de congoleses. Já o defensor Benjamin Mendy é filho de senegaleses, e Blaise Matuidi de angolanos.

Steven Nzonzi é mais um atleta que tem sua ascendência congolesa. Corentin Tolisso é filho de imigrantes do Togo. Já Ousmane Dembélé e filho de mãe senegalesa e pai malinês. Antoine Griezmann, eleito o grande destaque da final da Copa do Mundo, tem raízes na Alemanha, por parte de pai, e em Portugal, por parte de mãe.

“Depois de 1998, os Azuis [apelido dado à seleção] tornaram-se uma caixa de ressonância, um lugar central para pensar sobre questões interculturais. Desde então, evocamos constantemente o elo da França a sua diversidade, algo que a equipe deve endossar. Podemos fazer de tudo no futebol, mas uma vitória será o símbolo da integração bem-sucedida; já uma derrota é a ausência de um senso de comunidade”, explicou o historiador Yvan Gastaut, em entrevista ao Le Monde.

A seleção multifacetada remete ao time francês de 1998, também campeão do mundo. O fenômeno foi conhecido como “Black-Blanc-Beur”, que, em tradução livre, significa “Negros-Brancos-Árabes”. “A seleção de 1998 tem um perfil muito parecido com o de agora”, explicou o jornalista francês Stéphane Darmani, comentarista da ESPN, em entrevista à BBC.

A seleção francesa conta com jogadores nascidos fora do país desde a Copa de 1978, que ocorreu na Argentina. Na época, Márius Tresor, nascido em Guadalupe, defendia as cores da França. Depois do seu protagonismo, muitos outros atletas fizeram o mesmo caminho.

Fora dos gramados

Se em campo os jogadores conseguiram se comunicar, independentemente de suas raízes, o mesmo parece não se repetir fora dos gramados. Em fevereiro deste ano, o governo francês apresentou um projeto de lei para endurecer as regras migratórias.

Nas últimas eleições presidenciais da França, Marine Le Pen, uma política de extrema-direita, ganhou força. Le Pen liderou as pesquisas de intenções de voto por boa parte da campanha e terminou o primeiro turno em segundo lugar, atrás apenas do centrista, e atual presidente francês, Emmanuel Macron.

O reflexo dessa indicação nacionalista francesa se vê também no número de rejeições a pedidos de asilo. Apenas em 2017, o país recebeu 100 mil pedidos de asilo. Já em maio deste ano, a polícia francesa desmontou o maior acampamento de imigrantes de Paris, transferindo todos para centros de acolhimentos.

Exportação

Segundo o jornalista Rodolfo Rodrigues, 20 jogadores, que nasceram ou foram formados na França, representaram outros países durante a Copa do Mundo de 2018. A maioria dos atletas representava a seleção do Marrocos. Ao todo, 10 esportistas nascidos na França defendiam as cores marroquinas.

As seleções de Senegal e Tunísia também contam com atletas com raízes francesas. O caso mais famoso é o do atacante argentino Gonzalo Higuaín. O jogador nasceu na cidade de Brest, na França, chegou a ser convocado para a seleção, mas optou por defender a Argentina.

 

Leia também: O caminho vitorioso da Croácia

Fontes:
BBC-Copa da Rússia 2018: Multiétnica, seleção da França bicampeã mundial tem raízes em 17 países
Huffpost-Imigrantes na seleção da França faz país repensar xenofobia

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1 Opinião

  1. André Vinícius Vieites disse:

    As revelações da copa, são os que dão sangue novo nas informações esportivas; As transmissões da Copa do Mundo têm comprovado que João Guilherme, do Fox Sports, é hoje o melhor da nova geração. Também destaque para a Janaina Xavier, muito agradável e focada nos comentários da sportv, muita gente competente nessa área, isso é ótimo. Aparentemente, o diário da copa foi um sucesso.

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