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A eficácia de um placebo talvez dependa do DNA do doente

Pesquisadores de Harvard descobriram que os genes influenciam a receptividade do organismo à ação dos placebos

A eficácia de um placebo talvez dependa do DNA do doente
Existem certos aspectos do efeito placebo ainda sem explicação (Reprodução/Wikipedia)

Os doentes em geral se sugestionam e sentem-se melhor quando o médico diz que receitou um remédio excelente, mas, na verdade, foi apenas uma medicação inócua. Mesmo se souber que tomou um remédio com efeitos terapêuticos psicológicos, a sensação de bem-estar continua. O efeito placebo, como é chamado em razão de sua origem latina placebo “eu agradarei”, é um dos fenômenos mais estranhos na ciência médica. É uma benção para os médicos e um desastre para pesquisadores, que fazem experiências clínicas e precisam incluir os placebos em seus testes. Mas existem certos aspectos do efeito placebo ainda sem explicação.

O efeito placebo age nos sistemas cerebrais controlados por neurotransmissores. Esses sistemas, assim como outras funções fisiológicas no corpo humano, obedecem a uma sequência de DNA. Esse fato levou alguns pesquisadores a questionar se versões diferentes de genes poderiam influenciar a suscetibilidade de uma pessoa à ação dos placebos.

Uma revisão dos estudos desses pesquisadores, recém-publicada em Trends in Molecular Medicine por um deles, Kathryn Hall da Harvard Medical School, e seus colegas, mostrou que os genes influenciam a receptividade do organismo à ação dos placebos. Kathryn Hall pesquisou as conexões entre o efeito mais forte do placebo e determinadas mutações, chamadas de polimorfismos de nucleotídio único (SNPs), nos quais uma “letra” na sequência do DNA em um gene está alterada. Hall encontrou 11 genes em quatro sistemas neurotransmissores, em que os SNPs faziam diferença. Cinco genes estavam no sistema mediado pela dopamina, que inclui os centros de recompensa do cérebro. Quatro encontravam-se no sistema mediado pela serotonina, que regula o humor. E os sistemas opioide e endocanabinoide tinham um gene em cada um deles.

Se essas pesquisas confirmarem a hipótese de uma influência do DNA, será possível prever, com base em um teste genético, se alguém terá uma reação mais forte ou não à medicação de um placebo. Assim, um médico poderá diminuir a dose de um remédio se souber que o doente reagirá com mais intensidade ao efeito placebo. Permitirá também que as empresas do setor farmacêutico realizem experiências clínicas sem incluir a suscetibilidade ao placebo, o que daria uma percepção melhor da eficácia dos medicamentos que estão sendo testados.

Fontes:
Economist-Are you easily pleased?

1 Opinião

  1. helo disse:

    O efeito placebo em 50% dos indivíduos em relação a dor e ao humor há muito foi detectado e atribuído à genética. A identificação rápida destes sortudos permitirá pesquisas farmacológicas mais eficazes. Quando estivermos diante de alguém com dor e sem medicação entorno, sempre vale a pena dar por ex. água com açucar como placebo, 50% terão algum alívio. Estes não são os melhores candidatos para testes de medicamentos.

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