Início » Internacional » A erupção da crise política e econômica no Equador
Crise no Equador

A erupção da crise política e econômica no Equador

Popularidade do autoritário presidente Rafael Correa entra em crise e população protesta contra censura e abuso de poder do governo

A erupção da crise política e econômica no Equador
Sempre que uma crise política toma o Equador, os vulcões do país entram em atividade (Foto: Verdade.Org)

Um artigo publicado nesta segunda-feira, 1, no New York Times, alerta para o caos político que tomou conta do Equador. Assinado pelo jornalista equatoriano Martin Pallares, o texto chama atenção para a curiosa relação entre as crises políticas do Equador e as erupções vulcânicas no país: elas parecem ocorrer sempre ao mesmo tempo.

“De acordo com Pedro Cieza de León, que registrou a chegada dos conquistadores espanhóis no Império Inca, quando Pedro de Alvarado pisou na terra onde hoje fica o Equador, o vulcão Cotopaxi entrou em erupção, lançando no ar intensas labaredas e cinzas, que praticamente reduziram os soldados ao pó. A população indígena local percebeu o fato como um sinal de indignação da natureza. Em outubro de 1999, o vulcão Pichincha, que aterrorizou a população local em 1660, lançou sobre Quito uma coluna de vapor e cinzas em pleno momento em que o país vivia uma das mais traumáticas crises política e econômica. Meses depois, em janeiro, os equatorianos tomaram as ruas para pedir a renúncia do presidente Jamil Mahuad, que adotou o dólar como moeda oficial do Equador, após a crise falir os 24 bancos do país e congelar a poupança da população”, diz Pallares.

O texto lembra que no dia 13 de agosto deste ano, após milhares de indígenas tomarem as ruas de Quito em protesto contra o governo do presidente Rafael Correa, o vulcão Cotopaxi entrou novamente em atividade, após 134 anos adormecido.

“Naquele mesmo dia, ocorreram violentos confrontos entre a polícia e manifestantes, e o líder indígena Carlos Pérez foi preso, junto com sua parceira, a jornalista e professora franco-brasileira Manuela Picq, que será forçada a deixar o país após ter o visto sumariamente cancelado”, diz o artigo.

No mesmo dia em que o Cotopaxi entrou em atividade, Correa decretou no Equador um estado de exceção que silenciou os cientistas do Instituto Geofísico, órgão responsável por noticiar as atividades vulcânicas do país com total isenção. Sob o pretexto de impedir alastramento do pânico, Correa delegou o repasse das informações ao Ministério de Segurança Pública. O decreto também determinou a censura prévia de qualquer notícia sobre a atividade do vulcão na mídia e nas redes sociais.

Após anos de investimentos em um sistema político patronal, a popularidade de Correa, que desde 2007 governa o país com pulso firme, vem despencando. A comunidade indígena e a classe média, que cresceram nos anos em que o Equador viveu a bonança econômica do alto preço do petróleo, expressaram repúdio às medidas de Correa. Eles se opõem à intenção de Correa de mudar a Constituição para disputar a presidência pela terceira vez em 2017. Eles também rejeitam o estilo de governar do presidente, que tem como base um rígido controle estatal sobre as instituições do país.

Segundo Pallares, “os protestos também miram o abuso de poder de Correa, a supressão da liberdade de expressão dos equatorianos”. Correia, aliás, é um grande inimigo da mídia independente, a qual chama de “problema global”.

“Desde 2013, o Equador tem uma Lei de Comunicação que criou uma superintendência que controla e regula a mídia e responde diretamente ao Executivo. De acordo com a organização Repórteres Sem Fronteiras, esse mecanismo criou uma atmosfera que leva à autocensura. Segundo o órgão ‘os jornalistas não têm outra escolha senão obedecer o governo’”, alerta o artigo.

Fontes:
The New York Times-Ecuador’s Political Eruption

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *