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Relações diplomáticas

À francesa: mansão marca reaproximação entre Cuba e EUA

Embaixada cubana em Washington volta a funcionar no dia 20 em mansão de estilo francês. Reinauguração representa um marco na reaproximação entre os dois países

À francesa: mansão marca reaproximação entre Cuba e EUA
Mansão na 16th Street vai voltar a ser a embaixada cubana nos Estados Unidos (Foto: Wikimedia)

Esquecido em Washington, um edifício que resistiu não somente ao desgaste do tempo de quase meio século, mas também a décadas de intrigas políticas e dificuldades econômicas, pode estar prestes a retomar seus dias de glória. Em 1923, o edifício era a embaixada de Cuba nos EUA e chegou a acolher vários presidentes cubanos em visitas ao país, incluindo Fidel Castro, em abril de 1959. Mas a embaixada fechou suas portas em janeiro de 1961, após a ruptura de relações diplomáticas. Em 1977, EUA e Cuba chegaram a um acordo para abrir seções de interesses, que lhes dariam presença diplomática limitada nas respectivas capitais. Foi quando o governo cubano reabriu a mansão na 16th Street, que passou a sediar uma discreta missão.

Nas últimas semanas, a mansão de três andares de estilo francês, construída em 1917, a cerca de três quilômetros da Casa Branca,  passou por reformas para se transformar novamente na embaixada cubana. A bandeira da ilha será hasteada  no dia 20. Enquanto isso, em Cuba, um imóvel cinza de sete andares será a embaixada dos EUA em Havana, também no dia 20. Após 54 anos de afastamento, Cuba e Estados Unidos se preparam para um novo capítulo de suas histórias.

O afastamento

Tudo começou com o fim da Revolução Cubana. A reforma agrária e a nacionalização de indústrias indicaram um governo comunista na ilha. Insatisfeitos, os EUA começaram, então, a restringir gradualmente as relações comerciais com Cuba. No dia 3 de fevereiro de 1962, o presidente americano John F. Kennedy anunciou a imposição do embargo econômico ao país, que se tornou lei nos anos 1990. Com o fim da União Soviética, Cuba entrou em crise e viu sua economia definhar. O bloqueio se manteve até dezembro do ano passado, quando os presidentes Barack Obama e Raúl Castro anunciaram o início da retomada das relações diplomáticas. Mas negociações entre EUA e Cuba já haviam começado, de forma sigilosa, em 2013. A morte de Hugo Chávez em março daquele ano, ex-patrono da economia cubana, foi um dos pivôs da reaproximação.

A reaproximação

Em dezembro de 2013, os presidente se comprometeram a retomar as relações, resultado das negociações entre os dois países, que culminaram com a libertação do empreiteiro americano Alan Gross. Ele foi preso na ilha, em 2009, por levar irregularmente equipamentos para ajudar grupos judaicos cubanos a acessar a internet. Em troca da libertação de Gross, o governo americano se comprometeu a libertar três cubanos presos na Carolina do Norte.

Além da libertação de presos políticos, também houve um empurrão do Papa Francisco. Em um discurso, o presidente americano Barack Obama chegou a agradecer ao papa por estimular as conversas entre os dois governos. Cuba também cumpriu a promessa feita no início do processo de reaproximação e libertou outros presos políticos. O ato representou um grande passo para a consolidação das relações diplomáticas entre os dois países.

Em abril deste ano, na véspera do início da VII Cúpula das Américas, no Panamá, o secretário americano de Estado, John Kerry, e o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, tiveram um encontro histórico: o primeiro encontro entre os chefes da diplomacia de EUA e Cuba desde setembro de 1958. Durante a cúpula, Barack Obama e Raúl Castro se cumprimentaram com um aperto de mãos, algo impensável durante mais de meio século.

Em maio, foi a vez dos Estados Unidos darem mais um passo para fechar as feridas abertas da guerra fria. O governo Obama tirou Cuba da lista de regimes patrocinadores do terrorismo.

E agora em julho, o presidente americano Barack Obama anunciou seus planos para oficialmente reabrir as embaixadas em Washington e Havana, restabelecendo as relações diplomáticas entre EUA e Cuba depois de mais de meio século de estranhamento.

 

 

Fontes:
O Estado de S. Paulo-Elegância na volta de Cuba aos EUA
El País-Obama: “Voltaremos a hastear com orgulho nossa bandeira em Havana”

1 Opinião

  1. Carlos disse:

    Os EUA abrirem embaixada em Cuba sem que estes libertem os presos políticos, é um grave apoio á ditadura cubana. Onde está a tão falada democracia americana? Obama afinal é um apoiante da ditadura cubana.

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