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A grave crise humanitária no Sudão do Sul

A violência sem limite da guerra civil no Sudão do Sul causa uma das piores crises humanitárias do mundo

A grave crise humanitária no Sudão do Sul
O conflito do Sudão do Sul opõe as forças leais ao vice-presidente Taban Deng (Foto: OIM/Twitter)

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À medida que milhares de sudaneses fogem da violência da guerra civil e buscam refúgio na cidade de Nyal, os relatos sobre o assassinato de moradores de vilarejos do Sudão do Sul pelas tropas do governo e os incêndios criminosos de suas casas multiplicam-se.

No início só se via a sombra escura de um barco movendo-se entre as ninfeias e a relva que cobrem os pântanos no Sudão do Sul.

O pequeno barco estava transportando cinco aldeões, com uma expressão ansiosa nos rostos cansados, ​​e os poucos pertences que conseguiram pegar antes de fugirem dos confrontos nos arredores dos condados de Leer e Mayendit, a uma distância de dois dias de barco de Nyal.

Assim como outros sudaneses que chegaram nas últimas semanas à cidade de Nyal, controlada pelas forças de oposição, eles relatam histórias terríveis de pessoas queimadas em suas casas por soldados do governo, assassinatos de civis, estupros e roubo de gado, a maior fonte de riqueza dos moradores dos vilarejos.

Os relatos confirmam os relatórios da ONU e de outras agências internacionais sobre a violência da guerra civil. De acordo com agências de ajuda humanitária, milhares de pessoas fugiram de seus vilarejos e muitas se refugiaram nas ilhas superlotadas ao longo dos pântanos, sem comida e cuidados médicos.

Os ocupantes do barco haviam fugido de Thonyor, uma aldeia perto de Leer, um dos primeiros lugares atacados por soldados sudaneses no mês passado. “Os soldados entraram em Thonyor com seus tanques”, disse Peter Kuol, de 60 anos, que estava acompanhado das duas filhas de 13 e 15 anos.

“Eles atiraram nos moradores e raptaram as mulheres. Alguns fugiram para uma ilha no meio do pântano, mas os soldados os seguiram em balsas e bombardearam a ilha”, acrescentou Kuol.

Tut Kai também de Thonyor relatou que “as tropas do governo e as milícias atacaram o povoado em torno das 5 da manhã. Os soldados mataram 18 pessoas entre crianças e idosos”.

Lam Puok, morador de um vilarejo próximo, contou que as tropas do governo incendiaram as casas e muitas pessoas morreram queimadas dentro de suas cabanas, entre elas dois aldeões idosos, Bol Pala, de 90 anos, e Duop Ngunow, de 72 anos.

O conflito do Sudão do Sul opõe as forças leais ao vice-presidente Taban Deng aos partidários de Riek Machar, ex-vice-presidente e opositor implacável do presidente Salva Kiir, que governa o país desde a independência em 2011.

A guerra civil no Sudão do Sul é mais um de uma série de conflitos recentes, cuja luta pelo poder entre grupos rivais foge ao controle das forças de manutenção da paz da ONU, que atuam em regiões de conflitos armados. Além disso, o grande número de refugiados que busca refúgio nos países vizinhos está ocasionando um problema regional sério.

A violência da guerra causou uma das crises humanitárias mais graves do mundo. O total de refugiados do Sudão do Sul já ultrapassou 2 milhões. Segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), é a maior crise da África e a terceira maior do mundo, depois da Síria e do Afeganistão.

Fontes:
The Guardian-Born out of brutality, South Sudan, the world’s youngest state, drowns in murder, rape and arson

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