Início » Internacional » A história de uma menina que queria apenas ir à escola
O Talibã e as adolescentes

A história de uma menina que queria apenas ir à escola

Malala defendia a educação de meninas no Paquistão e foi alvejada por 'promover a cultura ocidental em áreas pashtuns'. Conheça a sua história

A história de uma menina que queria apenas ir à escola
Malala foi levada de helicóptero por militares para um hospital em Peshwar (Reprodução/Internet)

Na tarde de terça-feira, 9, militantes talibãs atacaram e gravemente feriram Malala Yousafzai, ativista paquistanesa de 14 anos, que defendia a educação de meninas em Mingora, uma cidade no Vale de Swat, norte do Paquistão. Malala estava voltando para casa da escola quando homens a atacaram enquanto caminhava com um colega e um professor, que também ficaram feridos. “Uma bala atingiu a sua cabeça, mas seu cérebro está a salvo”, disse um médico ao jornal Express Tribune.

Malala foi levada de helicóptero para um hospital militar em Peshawar, a capital paquistanesa devastada pela insurgência talibã. O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, providenciou transporte para que ela fosse levada ao hospital e submetida a uma cirurgia complexa e necessária para salvá-la. Malala não era um alvo aleatório.

Um porta-voz do Talibã paquistanês, Ehsanullah Ehsan, assumiu a responsabilidade pelo atentado e ameaçou atacá-la novamente se ela sobreviver: “Ela é pró-Ocidente, ela estava criticando os talibãs e estava chamando o presidente Obama de seu ídolo”, disse o porta-voz. “Ela é jovem, mas estava promovendo a cultura ocidental em áreas pashtun”.

Fama na BBC

“Ela é apenas uma menina que queria ir para a escola”, disse Mirza Waheed, ex-editor do site da BBC no Paquistão. No início de 2009, quando Mirza estava trabalhando no escritório da BBC em Londres, ele recebeu uma sugestão de pauta de um de seus repórteres no Paquistão, que estava cobrindo a insurgência de militantes do Talibã no Vale do Swat liderada pelo militante Maulana Fazlullah, que havia proibido televisão, música e educação para meninas. Abdul Hai Kakkar, o repórter, tinha primeiro se aproximado de Ziauddin Yousafzai, o diretor de uma escola local, para convencê-lo a persuadir um dos professores a escrever sobre a vida no Swat sob o regime Talibã.  Nenhum professor concordou, mas a filha de onze anos do diretor, Malala Yousafzai, aluna da sétima série, estava interessada em escrever um diário. “Será que a BBC publica o diário?”, perguntou o repórter.

“Nós estávamos cobrindo  a violência e a política no Swat minuciosamente, mas nós não sabíamos muito sobre como as pessoas comuns viviam sob o Talibã”, disse Mirza. “Nós, por unanimidade, decidimos publicar o diário, mas a segurança de Malala sempre foi uma grande preocupação e decidimos publicá-la sob um pseudônimo”, Mirza disse. “O Diário Escolar de uma Menina do Paquistão”, escrito por Malala Yousafzai, foi publicado sob a assinatura Gul Makki. “Malala passava páginas do diário escritas a mão ao nosso repórter e ele as escaneava e me enviava”, disse Mirza. “Eu editava o texto de forma a preservar sua franqueza, deixá-lo cru, e às vezes meus olhos se enchiam de lágrimas”.

Segue abaixo dois trechos do diário:

No meu caminho da escola para casa, ouvi um homem dizendo “Eu vou matar você”. Apressei meu passo e depois de alguns instantes virei para ver se o homem estava vindo atrás de mim. Para o meu alívio absoluto, ele estava falando ao celular e devia estar ameaçando outra pessoa por telefone.

Tive um sonho terrível ontem com helicópteros militares e o Talibã. Tenho tido sonhos horríveis desde o início das operações militares no Swat. Minha mãe preparou meu café da manhã e fui para a escola. Tive medo de ir porque o Talibã havia lançado um decreto proibindo meninas de frequentarem escolas. Somente 11 de 27 alunos foram à aula. O número foi diminuindo por causa do decreto talibã.

Cirurgiões anunciaram nesta quarta-feira, 10, que conseguiram remover a bala alojada na cabeça de Malala e que sua condição é estável. O Paquistão certamente será um lugar melhor se Malala sobreviver. E se pessoas como ela se multiplicassem, os paquistaneses poderiam começar a sonhar com um futuro menos aterrorizante.

Fontes:
New Yorker - The girl who wanted to go to school
Slate - Why the Taliban fears teenage girls

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

10 Opiniões

  1. natalia disse:

    Difícil acesso ao nome do autor dessa matéria!

  2. alana malik disse:

    Eu acho que todo mundo tem seu direito de estudar pq com estudo abre fronteira para todo mundo não importa se é homen ou mulher ou deficiente seja o que for todos nós tem seu direito tchau bjss

  3. alice arnoud heredia beck disse:

    que orror se eu fosse a garota ja tinha procesado os pais

  4. karollynna fernandes dos s.costa disse:

    eu acho na minha opinião não sei as outras pessoas concordam comigo mas eu acho isso muito errado as mulheres tem que estudar sim isso é muito errado concordo as mulheres precisam estudar para ter um futuro muito mas muito bom saudável pode sim contar comigo pro que for mil beijos e mil abraços tchau.

  5. Raphaela disse:

    esTRUpada? com certeza não.

  6. rauanny disse:

    fico pensando na atitude desta menina,que nao pode estudar porque as mulheres nao tem direto neste pais.tantas pessoas no Brasil podem e (devem)estudar, e nao se importam com os estudos pessoas e crianças devem seguir o exemplo desta menina chamada malala de 14 anos.Na cidade aonde ela mora as mulheres sao estrupadas com freguencia,muitas guerras pra q isso minha gente ”PAZ” em primeiro lugar.bjs e tchau!!!!!!!!!!!!!!!!!

  7. Daniela disse:

    eu acho isso uma injustiça porque todos tem direito de ir a escola,seja em qualquer país ou em qualquer lugar do mundo, e ficaria muito feliz se ela sobrevivesse.

  8. kailane pereira de sousa disse:

    acho iso uma injustiça todos tem direito a estudar

  9. Ezequiel Domingues dos Santos disse:

    É uma coisa que foge a nossa percepção no sistema de coisas; uma criança que sabe o risco que corre e em pró de um pouco de dignidade sofre atentados desses radicais bárbaros, mesmo se ela moresse já é uma heroina.

  10. segetto disse:

    Devemos tratar esses talibãs no ocidente da mesma forma que tratam os “infiéis” nos seus devaneios muçulmanos. Devemos mandar embora dos países ocidentais, pois como não suportam nossa cultura nos países ditatoriamente dominados por eles, não devemos tolerar suas bizarrices no ocidente.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *