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Estado islâmico

A ideologia radical do ISIS

Atualmente, o extremismo radical dos jihadistas intimida até mesmo os ideólogos da guerra santa

A ideologia radical do ISIS
A jihad tem ajudado a estimular conflitos em territórios árabes e em Israel (Reprodução/Reuters)

Um ano depois de sua extradição do Reino Unido, Omar Mahmoud Othman, mais conhecido como Abu Qatada, um líder religioso islâmico, acusado de ser o “embaixador” da Al Qaeda na Europa, relaxa em sua sala de visitas enfeitada com lírios brancos em Amã, capital da Jordânia. Ele ri ao ver uma fotografia no Instagram de um gatinho suicida com um cinto de explosivos. Em seguida, com outros companheiros jihadistas, dá gargalhadas com a imagem em um celular de Theresa May, secretária do Interior da Grã-Bretanha, criticando extremistas e citando trechos do Alcorão em uma reunião do Partido Conservador. “Quem é ela para falar em nome do Islã?” disse com desdém seu convidado esquelético, Abu Muhammad al-Maqdisi, um dos principais ideólogos da guerra santa.

Por mais de 30 anos, Abu Qatada e al-Maqdisi, ambos jordanianos de origem palestina, convencidos que o Ocidente dera sua terra natal para os judeus, têm instigado os jihadistas radicais. Os dois líderes islâmicos apoiaram o Afeganistão na luta contra a antiga União Soviética no final da década de 1980, quando a Al Qaeda foi fundada. Em 1993, fugindo de uma condenação de morte na Jordânia, Abu Qatada refugiou-se em Londres. Foi preso em 2002, depois dos atentados terroristas da Al Qaeda nos Estados Unidos em setembro de 2001. Após uma longa batalha judicial, o extraditaram para a Jordânia em 2013 e, para constrangimento da Grã-Bretanha, foi absolvido das acusações de terrorismo em setembro.

Por sua vez, al-Maqdisi passou 16 anos em uma prisão na Jordânia, até o soltarem em junho. Na prisão, foi o mentor de uma geração de jihadistas e adquiriu a reputação de ser um dos principais ideólogos mundiais da guerra santa. Abu Musab al-Zarqawi, um dos seus protegidos, tornou-se líder da organização da Al Qaeda no Iraque, o precursor do Estado Islâmico, que controla o Iraque e a Síria. Zarqawi foi morto por uma bomba norte-americana em 2006. “Sou considerado o quinto terrorista mais perigoso do mundo”, disse al-Maqdisi com um sorriso afetado.

Agora, aos 50 e poucos anos, os dois homens orgulham-se com os resultados do seu trabalho. A jihad tem ajudado a estimular conflitos em territórios árabes e em Israel. Da Síria ao Sinai, os militantes erguem a bandeira preta da jihad, com frequência em nome do Estado Islâmico. A ampla coalizão liderada pelos Estados Unidos para combater o Estado Islâmico abriu um novo capítulo na batalha pela preservação do Islã.

Mas os dois ideólogos também têm preocupações. Mais de uma vez a jihad que defendem fugiu ao controle de seus protegidos, sobretudo quanto à aplicação do conceito de takfir, ou apostasia, que pela lei mulçumana é punida com uma condenação à morte. Os radicais mais antigos aplicaram o conceito aos líderes mulçumanos, que não cumpriam a lei de Deus. Porém, os jihadistas da Al Qaeda e do Estado Islâmico estenderam a punição a civis, não mulçumanos e mulçumanos.

Em 27 de outubro, al-Maqdisi foi mais uma vez preso na Jordânia. As autoridades judiciais anunciaram a intenção de fazer outro julgamento em Abu Qatada. Com a intensificação da guerra e os ânimos sombrios, é provável que os dois ideólogos unam as forças para incentivar os jihadistas radicais e difundir a bandeira preta da jihad.

Fontes:
The Economist-Jail, jihad and exploding kittens

1 Opinião

  1. Eliahu Feldman disse:

    O The Economist ao descrever os dois personagens principais desta matéria falam deles como se falassem de duas comadres conversando a respeito de corte e costura ou da ultima receita de bolos a serem trocadas.
    “A insuportável inconsequencia do post modernismo politico” é algo chocante.
    Não se trata de calar a boca de quem deseja defender de forma legitima uma posição politica, ideologica ou religiosa, mas de sai desta postura pseudo politicamente correta, e “dar o nome aos bois”. Citação:
    “Agora, aos 50 e poucos anos, os dois homens orgulham-se com os resultados do seu trabalho. A jihad tem ajudado a estimular conflitos em territórios árabes e em Israel. Da Síria ao Sinai, os militantes erguem a bandeira preta da jihad, com frequência em nome do Estado Islâmico. A ampla coalizão liderada pelos Estados Unidos para combater o Estado Islâmico abriu um novo capítulo na batalha pela preservação do Islã.”.

    Preservação do Islã? O que os ‘disitintos cavalheiros’ pretendem é a preservação do Islã?
    Isto é o que em bom portugues se chama dizer que cusparada é chuva.
    Os Britanicos realmente tem se mostrado mestres do ilusionismo e da prestidigitação politica.
    Fazem tudo para apagar os crimes hediondos que cometeram até há bem pouco tempo, como por exemplo, quando da sua opressão na India assassinando a sangue frio centenas de manifestantes pacificos, alem do uso “esperto” de um truque para acabar com os atentados suicidas de muçulmanos contra suas tropas (é, esta é uma estória antiga), usando restos de porco para atar os cadáveres dos suicidas, que assim não chegariam ao paraiso – de acordo com a tradição muçulmana.
    E viva a hipocrisia mundial!

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