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A importância do estímulo fiscal no combate à crise econômica

Antes da crise, os economistas não acreditavam que a política de estímulo fiscal fosse uma medida eficaz de combate à recessão

A importância do estímulo fiscal no combate à crise econômica
No futuro, os economistas irão enfrentar mais uma vez o perigo do limite zero da taxa de juros (Foto: Flickr/Teddy James)

Um dia, talvez logo, as más notícias irão explodir: um aumento do preço do petróleo, um pânico no mercado ou um medo generalizado sem uma causa específica. Os governos vão detectar o perigo de uma nova recessão tarde demais. Antes a resposta era clara, com a entrada em ação dos bancos centrais para reduzir as taxas de juros, com o objetivo de incentivar os empréstimos e os investimentos. Mas durante a crise financeira internacional e depois de quatro décadas de queda das taxas de juros e de inflação, o inevitável aconteceu. A taxa de juros dos bancos centrais chegou a zero, o que deixou os formuladores de políticas sem alternativas testadas. Dez anos depois, apesar de um debate exaustivo, os economistas ainda não chegaram a um consenso de como lidar com esse cenário econômico.

Durante a próxima recessão, os economistas irão enfrentar mais uma vez o perigo do limite zero da taxa de juros (ZLB). Em uma reação previsível, os bancos centrais adotarão medidas testadas em situações de crise, como a flexibilização quantitativa, com a emissão de dinheiro para comprar títulos, e com a promessa de manter as taxas baixas durante um longo período de tempo. Porém, essas medidas serão menos eficazes do que no passado. As compras de títulos são menos úteis, por exemplo, quando os mercados de crédito não sentiram os efeitos de crise e as taxas de juros de longo prazo já eram baixas. Na ausência de um sólido consenso político, o uso de qualquer medida pouco ortodoxa será inútil para provocar uma recuperação rápida.

Em geral, os economistas têm em mente duas estratégias para enfrentar esse cenário econômico, ambas citadas em uma conferência recente promovida pelo Peterson Institute for International Economics. Uma delas é a mudança na política monetária. Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed) durante a crise global, propôs uma abordagem inteligente. No momento em que a economia se aproximar do limite zero da taxa de juros, o banco central deve adotar o mais rápido possível uma meta provisória de nível de preços. Assim, se a recessão causar uma inflação abaixo da meta por um período de um ano, o banco central compromete-se a aceitar uma inflação acima da meta até que os preços atinjam o nível que teriam sem a retração econômica.

O aumento das metas de inflação reduziria a frequência e a gravidade da incidência do limite zero da taxa de juros, porém obrigaria as pessoas a conviverem com uma inflação mais alta durante um período de tempo maior, em vez de só em momentos de crise. A proposta de Bernanke seria muito boa se os mercados não duvidassem da capacidade dos bancos centrais de cumprirem sua meta de inflação.

As dificuldades enfrentadas pelos bancos centrais sugerem que uma ênfase maior na política fiscal teria um resultado mais eficaz. Esse foi o tema das palestras de Olivier Blanchard e Lawrence Summers, respectivamente, economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) e ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos no governo Bill Clinton. Antes da crise, os economistas não acreditavam que a política fiscal fosse uma medida eficaz de combate à recessão. Mas com as taxas de juros próximas a zero, o estímulo fiscal pode impulsionar a demanda, desde que a política fiscal e a monetária funcionem em estreita colaboração, o que pode resultar em perda da autonomia do banco central. Ou seja, questões complexas que ainda são objeto de muitos estudos e discussões.

Fontes:
The Economist - How should recessions be fought when interest rates are low?

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