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A rotina do conflito

A infernal vida dos sírios que não deixaram o país

Reportagem do 'New York Times' mostra como é a rotina dos sírios que vivem em meio ao pior conflito desde a Segunda Guerra Mundial

A infernal vida dos sírios que não deixaram o país
Menino bebe água de uma jarra em Douma. Mais de 550 pessoas, a maioria civis, morreram no mês passado na cidade (Foto: un.org)

Enquanto a atenção mundial está voltada para a onda de refugiados sírios que tentam entrar na Europa, uma reportagem publicada nesta terça-feira, 15, no New York Times, relata como é a rotina daqueles que ficaram na Síria, palco do pior conflito desde a Segunda Guerra Mundial.

O texto narra a surreal rotina dos moradores de Douma, cidade periférica da capital Damasco. “Todas as manhãs, na chamada matinal para as orações, mulheres e crianças caminham silenciosamente na cidade periférica de Damasco, Douma, para áreas rurais próximas, buscando proteção contra bombardeios. A caminhada é apenas parte da surreal rotina dos poucos moradores de Douma que restaram: compras em ruas devastadas, retirada de vegetação selvagem, enterros em massa.”

Segundo a reportagem, a saída em massa da população local deixou para trás cidades e bairros completamente vazios na Síria, que testemunham a escala do êxodo. Em áreas como Douma, um dos primeiro polos de insurgência contra o governo de Bashar al Assad, os bombardeios já duram anos. E a situação ainda pode piorar, como ficou claro no último mês de agosto.

“Mais de 550 pessoas, a maioria civis, morreram no mês passado em Douma e outras cidades próximas, sendo 123 delas crianças, segundo médicos da Crescente Vermelha. Agosto foi um dos meses mais sangrentos da cidade, com pelo menos 150 feridos sendo atendidos diariamente entre os dias 12 e 31 ­– número que inclui somente pacientes de 13 clínicas improvisadas que trabalham com o Médicos sem Fronteiras”, diz a reportagem.

Após o Estado Islâmico ganhar notoriedade na Síria, pouca atenção tem sido dada à raiz do conflito entre forças de Assad e rebeldes no país. Segundo o grupo ativista sírio Violations Documentation Center, 18 mil pessoas morreram em bombardeios aéreos, tipo de ataque que só o governo de Assad tem capacidade de fazer, e mais de 27 mil morreram em bombardeios terrestres e ataques com mísseis feitos por ambos os lados do conflito.

Mas não são apenas os bombardeios que tornam a vida cotidiana um inferno em Douma, que além de rebeldes também tem áreas controladas pela Frente al Nusra, braço da Al Qaeda na Síria. “Anos de bloqueios do governo obrigaram os moradores a depender de túneis e traficantes para conseguir os suprimentos diários. A ajuda humanitária é amplamente bloqueada e poucas pessoas são autorizadas a sair e a entrar na cidade”, diz o NYT.

“É completamente natural que as pessoas desejem sair do país”, diz Ahmed, um paramédico que, temendo represálias, pediu para ser identificado apenas pelo primeiro nome.

Aqueles que conseguem ir para Damasco, correm o risco de serem detidos por forças de segurança do governo, por suspeita de pertencer a grupos rebeldes. Com isso, muitos seguem para os países vizinhos Jordânia, Líbano e Turquia, que atualmente reúnem o maior número de refugiados sírios e que por conta desse excesso enfrentam problemas como falta de espaço para acomodá-los e escassez de suprimentos.

Fontes:
The New York Times-For Those Who Remain in Syria, Daily Life Is a Nightmare

1 Opinião

  1. olbe disse:

    É preciso acabar com esta guerra ou ela vai acabar com o bem estar do mundo.

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