Início » Internacional » A influência de Pablo Escobar sobre Medellín
COLÔMBIA

A influência de Pablo Escobar sobre Medellín

Após 25 anos de sua morte, Pablo Escobar mantém sua aura mítica em Medellín

A influência de Pablo Escobar sobre Medellín
Mesmo 25 anos após a morte de Escobar, a cidade ainda não conseguiu esquecê-lo (Foto: Wikimedia)

Pablo Escobar, um narcotraficante colombiano que se tornou um dos homens mais ricos do mundo com o tráfico de cocaína, morou anos no edifício Mónaco, um prédio luxuoso de seis andares. Ainda é possível ler o nome da família escrito na entrada do prédio.

Em 1988, um carro-bomba de um grupo rival explodiu em frente ao prédio. Logo depois, a família mudou-se. Hoje, o edifício que pertence à prefeitura está vazio e as ervas daninhas crescem em meio às rachaduras da calçada. Com o abandono do prédio a sombra de Escobar apagou-se um pouco.

Mas os livros, filmes e séries recentes sobre a vida de Escobar transformaram o edifício Mónaco em ponto turístico e as lembranças terríveis do período da guerra dos cartéis de drogas na Colômbia vieram à tona.

Os turistas tiram fotos e as postam no Instagram. Um dos principais membros do grupo de Escobar organiza passeios pelos locais onde ele viveu e distribui DVDs com relatos sobre a vida do famoso narcotraficante e o ataque do carro-bomba ao edifício Mónaco.

Porém, em abril, o prefeito de Medellín, Federico Gutiérrez, fez uma declaração pública de repúdio à mitificação do edifício Mónaco. Em pé em frente ao prédio com uma marreta na mão, o prefeito disse que “o edifício Mónaco, um símbolo da ilegalidade, da crueldade e violência, seria demolido”. Em seu lugar a prefeitura vai construir um parque em homenagem às vítimas da guerra dos cartéis de drogas.

A polêmica em torno do edifício Mónaco revela a relação conflituosa entre os moradores de Medellín e a imagem de Escobar. Vinte e cinco anos depois de sua morte em um confronto com a polícia, a cidade ainda não conseguiu esquecê-lo.

Medellín é hoje uma cidade próspera, onde arquitetos internacionais competem para construir projetos sofisticados e startups de tecnologia bem-sucedidas convivem ao lado de restaurantes chiques.

Os paisas, como são chamados os moradores de Medellín, são os primeiros a citarem com orgulho o progresso da cidade. Porém, são os últimos a dizer que o dinheiro do tráfico de cocaína de Pablo Escobar deu o impulso inicial a essa prosperidade.

“Um antigo ditado diz que roupa suja se lava em casa”, disse o escritor Juan Mosquera, ao ser entrevistado pelo New York Times. “Pablo Escobar espalhou o terror na cidade de Medellín e temos de resolver nossos conflitos com a maior privacidade possível”.

Mas a cidade está exposta à curiosidade pública. A série da Netflix, “Narcos”, sobre a ascensão e a ruína de Escobar, foi vista por milhões de espectadores. Fãs da série visitam Medellín em busca de mais histórias sobre a vida de Escobar. O roteiro turístico inclui a Hacienda Nápoles, sua fazenda nos arredores da cidade, seu túmulo e La Catedral, a prisão construída de acordo com suas exigências e onde foi preso.

Daniel Vásquez, diretor do Museo Casa de La Memoria, construído em homenagem às vítimas da violência do tráfico de drogas, disse que os turistas se interessam mais pela vida de Escobar do que em conhecer o museu. “Pablo Escobar se transformou em um personagem emblemático de Medellín”, disse Vásquez. “Guias turísticos, como Popeye, incentivam a manutenção do mito”.

Popeye, o pseudônimo de Jhon Jairo Velásquez, um antigo integrante do cartel de Escobar, começou a organizar passeios turísticos pela cidade após ser solto da prisão em 2016. Além dessa atividade, ele criou o canal “Popeye Arrependido” no YouTube. Em uma cidade ainda marcada pela violência de Escobar, Popeye assume uma atitude indiferente. Em um dos DVDs, “Túmulos Famosos”, Popeye mostra os túmulos de suas vítimas, com um relato de como foram assassinadas.

Interessado em saber mais detalhes sobre o ataque ao edifício Mónaco, um jornalista do New York Times entrou em contato com o filho de Escobar, Juan Pablo Escobar, que após a morte do pai mudou o nome para Sebastián Marroquín e hoje trabalha como arquiteto em Buenos Aires.

No entanto, apesar da troca de e-mails a princípio receptivos, o filho do chefe do poderoso Cartel de Medellín, o homem mais rico da Colômbia, preferiu não tocar no passado.

Fontes:
The New York Times-25 Years After Escobar’s Death, Medellín Struggles to Demolish a Legend

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *