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GUERRA CIVIL

A influência externa na guerra da Síria

Com a ajuda do Irã e da Rússia, Assad está vencendo a guerra civil na Síria

A influência externa na guerra da Síria
Conflito de interesses mostra a complexidade da guerra civil (Foto: Kremlin)

Apesar do ataque dos mísseis de cruzeiro à Síria em 14 de abril, o presidente Bashar al-Assad manteve o sangue-frio. Horas depois que os Estados Unidos, o Reino Unido e a França bombardearam três fábricas de armas químicas, o gabinete de Assad postou um vídeo nas redes sociais, em que ele seguia tranquilo para o trabalho. Os políticos russos que o encontraram mais tarde disseram que Assad estava de bom humor.

É possível que tenha esperado uma ofensiva mais agressiva do ocidente. O presidente Donald Trump dissera que o governo sírio iria pagar um “preço alto” pela morte por asfixia de mais de 40 pessoas na cidade de Douma, em 7 de abril. Mas os mísseis destruíram apenas alguns prédios e, provavelmente, não conseguiram eliminar todo o arsenal de armas químicas de Assad. Tampouco impediram que continuasse a derrotar, com armas convencionais, o que restou dos redutos rebeldes que lutam contra o regime na longa guerra civil.

Com a ajuda do Irã e da Rússia, Assad está vencendo a guerra. Há pouco tempo, as tropas sírias capturaram a região de Ghouta Oriental, nos arredores de Damasco, onde se localiza a cidade de Douma, após semanas de uma ofensiva brutal. Logo depois do ataque de armas químicas, os únicos rebeldes que permaneceram na região concordaram com a proposta de rendição intermediada pela Rússia. Alguns entregaram suas armas e se juntaram às tropas sírias. Outros partiram para a província de Idlib no norte do país.

Agora os soldados do exército sírio cercaram Yarmouk, uma cidade nos arredores de Damasco ocupada pelo Estado Islâmico (Isis). Alguns jihadistas já fugiram. Segundo analistas, o restante fará um acordo de capitulação ou lutará uma batalha da qual sairá derrotado. Os rebeldes que controlam uma pequena área vizinha terão um destino semelhante.

Grupos rebeldes no interior da Síria também estão prestes a serem derrotados. Sem o apoio internacional, os rebeldes que ainda controlam as cidades perto de Homs tentaram fazer um acordo com a Rússia, para manterem suas posições na área. Mas Assad, que prometeu recuperar todo o território do país, dificilmente tolerará a presença deles na principal autoestrada que liga Damasco ao norte da Síria. Na opinião de Emile Hokayem, do International Institute for Strategic Studies, um instituto de pesquisa com sede em Londres, os redutos rebeldes remanescentes na região central do país serão derrotados nos próximos meses.

Porém, é mais difícil prever o que irá acontecer com os últimos grandes grupos rebeldes, que controlam as fronteiras da Síria. No sul, Assad precisaria da ajuda da Rússia e do Irã para derrotá-los mais rápido. Mas a excessiva dependência do Irã e de seus aliados pode ser uma fonte de atrito com Israel, que já atacou as bases iranianas na Síria. A Jordânia, que apoiou os rebeldes, não se oporia à vitória do regime de Assad, desde que não provocasse um novo fluxo de refugiados. A guerra civil na Síria prejudicou a economia da Jordânia que, portanto, tem interesse que o conflito termine.

No norte, os rebeldes controlam grande parte da província de Idlib, com uma população de 2 milhões de habitantes. Os grupos mais fortes são liderados por jihadistas. A Al Qaeda tem cerca de 300 combatentes na região, mas eles têm poucas armas pesadas e as rivalidades internas enfraquecem sua coesão.

A província de Idlib é vigiada por soldados turcos, que estão monitorando o acordo de cessar-fogo. Em caso de uma ofensiva síria, as tropas teriam de atacar ou se desviar das bases militares da Turquia. Alguns analistas acham que os turcos cederiam parte do território para impedir um ataque em grande escala à Idlib. Mas é possível que a Rússia, que está negociando junto com a Turquia o fim da guerra, não apoie uma ofensiva do exército sírio às áreas densamente povoadas da província.

Trump, por sua vez, quer retirar as tropas americanas da Síria, onde lutam com as forças curdas contra o Isis no norte do país. A Arábia Saudita, que integra a coalizão liderada pelos EUA, pode enviar tropas para lutarem ao lado dos curdos, em substituição aos americanos. Esse conflito de interesses mostra a complexidade de uma guerra em que Assad não sairá totalmente vitorioso.

Fontes:
The Economist-Where Syria’s despot Bashar al-Assad is likely to strike next

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1 Opinião

  1. Jayme Mello disse:

    As sementes habilmente plantadas, nesse terreno fértil, foram rapidamente germinando aqui ou ali e, o resultado (prático) esperando, pelos semeadores ou seja; a colheita, tem sido próspera a-cada-dia e, ao que tudo indica, que não se extinguirá a curto prazo.

    E, não precisa ser um expert em estratégias bélicas e/ou um observador com mais acuidade em geopolítica, para claramente, perceber as estratégias (várias), das (atuais) forças hegemônicas agindo por vezes, isoladamente e, em outras ocasiões, em bloco, ao longo de (pelo menos uma década) para obtenção desse resultado (catastrófico) sob o ponto de vista humanitário.

    E, nesse patamar já concluindo, por cá tomo a liberdade de replicar uma máxima de replicada na internet:
    “DEIXEM DE SER IDIOTAS, O NEGÓCIO É O PETRÓLEO”!

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