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ALIANÇA IMPROVÁVEL

A inusitada aproximação entre Arábia Saudita e Israel

O inimigo do meu inimigo é meu amigo. Nenhuma frase descreve tão bem a aproximação entre Israel e Arábia Saudita para conter uma ameaça em comum: o Irã

A inusitada aproximação entre Arábia Saudita e Israel
Nos últimos meses, Riad e Tel Aviv têm sinalizado estreitamento de laços (Foto: imgrum.org)

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O inimigo do meu inimigo é meu amigo. Nenhuma frase descreve tão bem o recente estreitamento de laços diplomáticos entre Israel e Arábia Saudita, inimigos de longa data no Oriente Médio.

Desde o ano passado, os governos de Riad e Tel Aviv vêm dando uma série de sinais de aproximação num movimento que pode alterar a geopolítica do Oriente Médio. Tal feito tem como objetivo conter o avanço de um inimigo em comum: o Irã, que não reconhece a soberania de Israel e disputa com a Arábia Saudita ao posto de potência mais influente do Oriente Médio.

Segundo a agência de notícias alemã Deutsche Welle, na última segunda-feira, 2, em entrevista à revista americana Atlantic, o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, disse que Israel tem o direito de existir e viver pacificamente em sua própria terra. A declaração impressionou a comunidade internacional, uma vez que há décadas Riad condiciona o reconhecimento de Israel à retirada de israelenses de territórios palestinos.

“Acredito que palestinos e israelenses têm direito a suas próprias terras. Mas nós temos que chegar a um acordo pacífico para garantir a estabilidade para todos e para termos relações normais. […] Nós temos preocupações religiosas quanto ao destino da mesquita sagrada em Jerusalém e aos direitos do povo palestino. Isso é o que nós temos. Nós não temos nenhuma objeção contra qualquer outro povo”, disse Salman, que está em viagem pelos EUA.

Na mesma entrevista, Salman aproveitou para criticar o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, comparando-o a Adolf Hitler. “Ao lado do líder supremo do Irã, Hitler parece bom. Hitler não fez o que o líder supremo está tentando fazer. Hitler tentou conquistar a Europa. O líder supremo está tentando conquistar o mundo”, disse Salman.

As declarações do príncipe herdeiro saudita se somam aos últimos esforços de aproximação. Em fevereiro deste ano, a Arábia Saudita abriu, pela primeira vez, seu espaço aéreo para um voo comercial com destino a Israel. Em novembro do ano passado, o chefe das Forças Armadas israelenses, Gadi Eizenko, exaltou a relação entre os países, em entrevista ao site saudita Elaph. Eizenko disse que seu país está disposto a trocar informações com o governo saudita, reforçou que há muitos interesses em comum entre os dois Estados e deixou claro que Israel considera o Irã “a maior ameaça para a região”.

O temor em relação ao Irã se dá em dois campos. De um lado, a Arábia Saudita está alarmada com o avanço do poder e da influência do Irã no Oriente Médio. Riad acusa o Irã de fomentar a guerra civil no Iêmen, fornecendo apoio aos rebeldes houthis que tentam derrubar o governo iemenita, que é apoiado pela Arábia Saudita. Com uma grande e porosa fronteira com o Iêmen ao sul, a Arábia Saudita teme o avanço da influência iraniana no país. Somado a isso, o Irã também tem laços com o Iraque, que faz fronteira com o norte da Arábia Saudita, com o Catar, que faz fronteira com a Arábia Saudita no litoral do Golfo Pérsico, e apoia o regime de Bashar al-Assad na Síria.

Já Israel tem um histórico de embates com o Hezbollah, grupo libanês que atua no norte de Israel, com quem faz fronteira, tem o apoio do Irã e, segundo um artigo da Deutsche Welle, aproveitou a atuação iraniana na guerra na Síria para avançar sobre as Colinas de Golã, que ficam perto da fronteira com Israel, são ricas em recursos hídricos e disputadas por Israel e Síria.

Além disso, segundo um artigo do Institute for National Security Studies, um centro independente de pesquisas israelense, a recente aproximação entre Israel e Arábia Saudita também é fruto de temores dos dois países diante da atual política externa dos EUA, em particular a relutância em usar a força contra o Irã e a Síria e o afastamento do governo americano das questões do Oriente Médio.

O artigo lembra que a Arábia Saudita restringe o estabelecimento de relações diplomáticas com Israel a mudanças na abordagem israelense à questão palestina. Porém, o texto diz que a aproximação pode render frutos para os dois países. “Há uma ampla gama de opções entre o total estabelecimento de relações diplomáticas e a total falta de contato, e os dois países podem tirar proveito disso”, explica o artigo.

 

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1 Opinião

  1. Beraldo disse:

    A terceira guerra mundial já eclodiu há muito tempo, pulverizada em centenas de pequenas e médias guerras.

    Está próxima mais uma de Israel contra o Irã;

    A Arábia Saudita entra com os petrodólares e Israel com o arsenal atômico.

    “A fome com a vontade de comer”.

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