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Liberdade de Expressão

A liberdade de expressão, um direito quase absoluto

Apesar da intenção, a manifestação de solidariedade ao direito de livre expressão, depois do ataque ao 'Charlie Hebdo', acabou por se tornar uma demonstração de hipocrisia

A liberdade de expressão, um direito quase absoluto
A polêmica criada após esses ataques em relação aos parâmetros da liberdade de expressão tem instigado discussões inflamadas no mundo inteiro (Reprodução/EPA)

A passeata em Paris depois do massacre no jornal “Charlie Hebdo tinha a intenção de ser uma manifestação de solidariedade ao direito de livre expressão. No entanto, em retrospecto, foi mais uma demonstração de hipocrisia do que de princípio. A presença do ministro das Relações Exteriores da Rússia não impediu que dois de seus conterrâneos fossem processados em Moscou por carregarem cartazes Je Suis Charlie. O ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita aparentemente não viu uma contradição entre a passeata e o açoitamento em público de um blogueiro em Jedá, dois dias antes. A Turquia é a campeã de prisões de jornalistas, mas o primeiro-ministro sem nenhum constrangimento também compareceu à manifestação. Enquanto isso, em nome da modéstia uma publicação israelense ultraortodoxa eliminou as fotos das líderes de sexo feminino que participaram da marcha.

O terrorismo foi o tema principal dos atentados em Paris ao jornal “Charlie Hebdo e a uma loja de comida kosher. Mas a polêmica criada após esses ataques em relação aos parâmetros da liberdade de expressão tem instigado discussões inflamadas no mundo inteiro, embora seja um direito quase absoluto.

A polêmica começa com uma controvérsia óbvia: a blasfêmia. Na semana passada o papa expressou simpatia pelos que reagem a ofensas contra o Islã. O menosprezo a uma crença alheia, disse, incita a agressão. Além de pouco cristão o comentário foi um grande equívoco. Poucos assuntos exigem um exame minucioso tão urgente como a religião, que erroneamente ou não, é invocada em conflitos e disputas no mundo inteiro. Os mulçumanos discutem as interpretações de sua crença, às vezes com violência ou com resultados fatais. Qualquer censura que isente o islamismo ou outras religiões de comentários é perversa.

Ainda assim, muitos mulçumanos veem as proteções concedidas a grupos étnicos em determinados países como um discurso de ódio e questionam por que sua fé, que alguns consideram mais essencial do que a cor da pele, não deveria ser respeitada. Na verdade, a crença religiosa é diferente, assim como os grupos étnicos e, portanto, deveria ser uma questão de escolha e não de um determinismo biológico. Entretanto, a solução para esse duplo padrão não é estimular mais exceções à liberdade de expressão, e sim eliminar algumas ainda existentes.

Fontes:
The Economist-First—and last—do no harm

1 Opinião

  1. Victor Ivens disse:

    Temo estar sendo eu próprio hipócrita, mas discordo de o discurso do papa foi pouco cristão. Segundo o texto, ele disse: “O menosprezo a uma crença alheia, disse, incita a agressão”. Eu digo que o menosprezo a qualquer aspecto alheio incita um sentimento ruim, que pode ser até mesmo a agressão. Também discordo da parte do texto onde se lê: “Qualquer censura que isente o islamismo ou outras religiões de comentários é perversa.”, Existe uma censura que não é perversa, que é a auto censura. Você mesmo pode, se tiver algum bom senso, se censurar de dizer/escrever/desenhar alguma coisa, não por causa de uma crença específica, mas simplesmente porque você não chega para uma pessoa acima do peso e a chama de gorda aberta e publicamente.
    Creio que esse episódio possa muito mais ter ensinado as pessoas que o bom senso tem que ser levado em consideração ao utilizar a liberdade de expressão, pois tenho plena certeza que não ensinou que matar é errado aos extremistas.

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