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Guerra suja

A luta da indústria carvoeira dos EUA

Um rascunho amargo dos planos de mandar carvão americano para a Ásia

A luta da indústria carvoeira dos EUA
Guerras por energia no oeste americano não são novidade (Fonte: Reprodução/The Economist)

A indústria carvoeira americana está lutando, esmagada pelos crescentes custos do gás natural e uma enxurrada de novas e duras regras ambientais. No ano passado, 37,4% da eletricidade americana veio do carvão, uma queda em relação aos 48,5% registrados em 2007. A Agência de Informação Energética espera uma leve alta este ano, enquanto o preço do gás começa a subir. Mas esperam-se também mais restrições às emissões das estações elétricas e a revolução do xisto betuminoso está em curso. Se o carvão tem um futuro, com certeza está em outro lugar.

Para muitos isso significa a Ásia. A demanda por importações de carvão está crescendo no Japão pós-Fukushima, ao passo que sua dependência de energia nuclear diminui; na Índia, onde o suprimento doméstico não consegue acompanhar a economia crescente; e, mais tentadoramente, na China, que queima quase metade do carvão mundial, e que se tornou uma importadora líquida do material em 2009.

Tais fatos fazem bocas salivarem em Powder River Basin, e nos estados de Wyoming e Montana, nos quais mais de 40% do carvão americano é obtido. Alguns já se deslocam para a Ásia, principalmente utilizando os portos canadenses. Mas os exportadores querem construir mais quatro novos terminais na costa oeste dos EUA — duas unidades no Oregon e duas em Washington – para enviar até 130 milhões de toneladas ao ano. O maior, o Gateway Pacific Terminal, com 600 hectares, ficará próximo à cidade de Bellingham, no norte de Washington, e teria capacidade de enviar até 48 milhões de toneladas de carvão por ano, bem como até seis milhões de toneladas de outros sólidos secos, como grãos.

As guerras por energia no oeste americano não são novidade. Mas o rancor levantado pela proposta de exportação do carvão se tornou tão tóxico quanto uma fábrica com quatro chaminés. Os estados carvoeiros acusam os estados costeiros de adotarem uma elevada postura de “não no meu quintal”. Os ativistas dizem que as empresas têm uma atitude primitiva com o meio ambiente. As cidades e países lutam acirradamente por empregos e comércio. Todo mundo acusa tomo mundo de má-fé, de não saber fazer cálculos básicos e, em alguns casos, de realizar operações secretas.

A construção não começará até 2016, nas previsões mais otimistas. A única coisa que ambos os lados podem concordar, mais ou menos, é que a fila continuará até lá.

* Texto adaptado e traduzido da Economist por Eduardo Sá

Fontes:
The Economist - Coal exports in the north-west: Dirty war

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